Arábia Saudita e aliados prometem resposta firme após ataques Houthi ferirem 73 pessoas

A escalada atingiu instalações de energia, interrompeu operações no sul saudita e elevou em cerca de 1% os preços internacionais do petróleo.

Fumaça sobe de caminhões em chamas na fronteira entre o Iêmen e a Arábia Saudita apósataque dos Houthis (08.09.26)

As forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita prometeram reagir com firmeza depois que militantes Houthis apoiados pelo Irã lançaram uma nova onda de ataques no Iêmen. A ofensiva atingiu áreas do sudoeste da Arábia Saudita, deixou pelo menos 73 pessoas feridas e provocou incêndios em instalações de energia.

Os ataques ocorreram em meio à retomada do conflito, que voltou a se intensificar em julho com disparos contra instalações petrolíferas sauditas e navios. O Ministério de Energia da Arábia Saudita informou que as explosões atingiram vários pontos da região sul e interromperam temporariamente algumas operações.

Ataques atingem cidades e instalações de energia

Entre os feridos estão mulheres e crianças, segundo o Major – General Turki Al – Maliki, porta – voz das Forças da Coalizão liderada pela Arábia Saudita. Ele classificou os ataques como “perigosos” e “insensatos”.

De acordo com Al – Maliki, os Houthis miraram “locais civis e econômicos” em Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran. O grupo utilizou “dezenas de mísseis balísticos e drones”, conforme comunicado divulgado pelos militares Houthis na terça – feira.

Na declaração, os Houthis disseram que a ofensiva foi uma resposta a mais de 100 ataques aéreos sauditas no Iêmen nos últimos três dias. Segundo o grupo, os bombardeios mataram muitas pessoas.

Os incêndios nas instalações de energia também tiveram reflexo no mercado internacional. Os preços do petróleo subiram cerca de 1% depois dos ataques, enquanto o Brent, índice de referência global, era negociado próximo a 99 por barril.

Coalizão promete reação e aliados condenam ofensiva

O Comando das Forças Conjuntas da Coalizão, agrupamento liderado pela Arábia Saudita que combate os Houthis durante a longa guerra civil do Iêmen, afirmou que irá “confrontar resolutamente a abordagem hostil (dos Houthis)”, disse Al – Maliki.

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“O Reino afirma seu direito legítimo de tomar todas as medidas necessárias para defender sua soberania”, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita no X. Egito, Jordânia, Catar e Kuwait também condenaram a ofensiva.

O Egito chamou os ataques de “uma escalada perigosa”. A Jordânia afirmou que a barragem representou “uma violação flagrante da soberania saudita”, enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Catar criticou o “desrespeito inaceitável pelas vidas civis e pela segurança dos países da região”.

O Kuwait ecoou a condenação regional.

A Arábia Saudita vinha tentando se manter afastada da guerra dos Estados Unidos com o Irã, mas voltou a ser alvo de mísseis dos Houthis em julho. A ofensiva encerrou um frágil cessar – fogo de quatro anos entre o grupo rebelde e o reino.

Conflito se espalha por terra e pelo Mar Vermelho

Os Houthis também declararam um bloqueio ao tráfego marítimo saudita no Mar Vermelho, rota importante para a saída do petróleo bruto do reino. A medida ocorreu enquanto o Irã buscava bloquear o Estreito de Ormuz.

Além dos ataques com drones e mísseis, os Houthis passaram a atingir refinarias operadas pela gigante petrolífera saudita Aramco na costa do Mar Vermelho. Nas últimas semanas, combates terrestres entre os Houthis e forças apoiadas pelos sauditas também eclodiram no Iêmen.

As forças governamentais reivindicaram avanços em várias frentes na segunda – feira. Os Houthis, por sua vez, usaram mísseis balísticos e drones contra o porto de Mocha, controlado pelas forças governamentais.

O conflito de sete anos entre a Arábia Saudita e os Houthis terminou com uma trégua em 2022. Desde então, porém, o grupo exige que os sauditas encerrem as tentativas de isolar as áreas do norte do Iêmen sob seu controle por meio de bloqueios de viagens e econômicos.

Houthis ameaçam ampliar ofensiva na região

O bloqueio agravou uma crise humanitária em grande parte do Iêmen. Em julho, o alto funcionário dos Houthis Nasr al – Din Amer disse à CNN que as medidas sauditas eram “suficientes para nos compelir a agir de forma mais decisiva do que temos feito.

Não precisamos de nenhuma outra agenda.”

Os ataques mais recentes indicam que o grupo rebelde pode ampliar o conflito, mesmo diante da mobilização de forças sauditas perto da fronteira com as áreas do Iêmen controladas pelos Houthis.

O comunicado militar do grupo afirmou que suas forças irão “manter a equação de cerco com cerco até que a agressão cesse e o bloqueio seja levantado”.

Para Ali Vaez, do International Crisis Group, os Houthis “estão tentando conquistar mais território próximo a Bab al – Mandab, o ponto de estrangulamento crítico que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico”. Segundo ele, o avanço também beneficiaria o Irã ao permitir pressão sobre o Estreito de Ormuz e Bab al – Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho.

Vaez afirmou à CNN que existe o risco de “o conflito que parece estar sendo reacendido no Iêmen possa ganhar vida própria e continuar mesmo além do fim das hostilidades entre o Irã e os EUA”.