Arábia Saudita e aliados prometem resposta firme após ataques Houthi ferirem 73 pessoas

A escalada atingiu instalações de energia, interrompeu operações no sul saudita e elevou em cerca de 1% os preços internacionais do petróleo.

08/09/2026 05:51

4 min

Fumaça sobe de caminhões em chamas na fronteira entre o Iêmen e a Arábia Saudita apósataque dos Houthis (08.09.26)
Fumaça sobe de caminhões em chamas na fronteira entre o Iêmen e ...

As forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita prometeram reagir com firmeza depois que militantes Houthis apoiados pelo Irã lançaram uma nova onda de ataques no Iêmen. A ofensiva atingiu áreas do sudoeste da Arábia Saudita, deixou pelo menos 73 pessoas feridas e provocou incêndios em instalações de energia.

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Os ataques ocorreram em meio à retomada do conflito, que voltou a se intensificar em julho com disparos contra instalações petrolíferas sauditas e navios. O Ministério de Energia da Arábia Saudita informou que as explosões atingiram vários pontos da região sul e interromperam temporariamente algumas operações.

Ataques atingem cidades e instalações de energia

Entre os feridos estão mulheres e crianças, segundo o Major – General Turki Al – Maliki, porta – voz das Forças da Coalizão liderada pela Arábia Saudita. Ele classificou os ataques como “perigosos” e “insensatos”.

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De acordo com Al – Maliki, os Houthis miraram “locais civis e econômicos” em Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran. O grupo utilizou “dezenas de mísseis balísticos e drones”, conforme comunicado divulgado pelos militares Houthis na terça – feira.

Na declaração, os Houthis disseram que a ofensiva foi uma resposta a mais de 100 ataques aéreos sauditas no Iêmen nos últimos três dias. Segundo o grupo, os bombardeios mataram muitas pessoas.

Os incêndios nas instalações de energia também tiveram reflexo no mercado internacional. Os preços do petróleo subiram cerca de 1% depois dos ataques, enquanto o Brent, índice de referência global, era negociado próximo a 99 por barril.

Coalizão promete reação e aliados condenam ofensiva

O Comando das Forças Conjuntas da Coalizão, agrupamento liderado pela Arábia Saudita que combate os Houthis durante a longa guerra civil do Iêmen, afirmou que irá “confrontar resolutamente a abordagem hostil (dos Houthis)”, disse Al – Maliki.

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“O Reino afirma seu direito legítimo de tomar todas as medidas necessárias para defender sua soberania”, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita no X. Egito, Jordânia, Catar e Kuwait também condenaram a ofensiva.

O Egito chamou os ataques de “uma escalada perigosa”. A Jordânia afirmou que a barragem representou “uma violação flagrante da soberania saudita”, enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Catar criticou o “desrespeito inaceitável pelas vidas civis e pela segurança dos países da região”.

O Kuwait ecoou a condenação regional.

A Arábia Saudita vinha tentando se manter afastada da guerra dos Estados Unidos com o Irã, mas voltou a ser alvo de mísseis dos Houthis em julho. A ofensiva encerrou um frágil cessar – fogo de quatro anos entre o grupo rebelde e o reino.

Conflito se espalha por terra e pelo Mar Vermelho

Os Houthis também declararam um bloqueio ao tráfego marítimo saudita no Mar Vermelho, rota importante para a saída do petróleo bruto do reino. A medida ocorreu enquanto o Irã buscava bloquear o Estreito de Ormuz.

Além dos ataques com drones e mísseis, os Houthis passaram a atingir refinarias operadas pela gigante petrolífera saudita Aramco na costa do Mar Vermelho. Nas últimas semanas, combates terrestres entre os Houthis e forças apoiadas pelos sauditas também eclodiram no Iêmen.

As forças governamentais reivindicaram avanços em várias frentes na segunda – feira. Os Houthis, por sua vez, usaram mísseis balísticos e drones contra o porto de Mocha, controlado pelas forças governamentais.

O conflito de sete anos entre a Arábia Saudita e os Houthis terminou com uma trégua em 2022. Desde então, porém, o grupo exige que os sauditas encerrem as tentativas de isolar as áreas do norte do Iêmen sob seu controle por meio de bloqueios de viagens e econômicos.

Houthis ameaçam ampliar ofensiva na região

O bloqueio agravou uma crise humanitária em grande parte do Iêmen. Em julho, o alto funcionário dos Houthis Nasr al – Din Amer disse à CNN que as medidas sauditas eram “suficientes para nos compelir a agir de forma mais decisiva do que temos feito.

Não precisamos de nenhuma outra agenda.”

Os ataques mais recentes indicam que o grupo rebelde pode ampliar o conflito, mesmo diante da mobilização de forças sauditas perto da fronteira com as áreas do Iêmen controladas pelos Houthis.

O comunicado militar do grupo afirmou que suas forças irão “manter a equação de cerco com cerco até que a agressão cesse e o bloqueio seja levantado”.

Para Ali Vaez, do International Crisis Group, os Houthis “estão tentando conquistar mais território próximo a Bab al – Mandab, o ponto de estrangulamento crítico que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico”. Segundo ele, o avanço também beneficiaria o Irã ao permitir pressão sobre o Estreito de Ormuz e Bab al – Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho.

Vaez afirmou à CNN que existe o risco de “o conflito que parece estar sendo reacendido no Iêmen possa ganhar vida própria e continuar mesmo além do fim das hostilidades entre o Irã e os EUA”.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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