Aprenda a se posicionar sem conflitos: dicas de especialistas para uma comunicação assertiva

Como se posicionar sem entrar em conflitos
Muitas pessoas evitam discussões, encarando até conversas simples como embates. Para não gerar conflitos, elas deixam de expressar suas opiniões ou cedem espaço para que sejam ouvidas. No entanto, é possível se posicionar sem precisar brigar ou fugir do diálogo.
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Especialistas indicam que existem estratégias para garantir uma comunicação assertiva, mantendo o próprio ponto de vista.
A psicóloga Camila Campanhã, professora da Universidade Cruzeiro do Sul, explica que evitar conflitos pode estar ligado a experiências passadas. “Algumas pessoas cresceram em ambientes onde o diálogo era marcado por brigas e punições. Como resultado, aprendem que se posicionar é perigoso”, afirma.
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Em situações mais intensas, esse padrão pode dificultar o enfrentamento de situações cotidianas.
Beatriz Brandão, psicóloga clínica e mestre em Psicologia pela PUC-SP, complementa que essa evitação pode estar relacionada a traços de personalidade. “Pessoas com alta ‘agradabilidade’ tendem a priorizar a harmonia social e podem acabar se anulando para evitar desentendimentos.
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No entanto, se evitar o conflito traz alívio imediato, mas frustração depois, isso não é paz, e sim evitação”, alerta.
Estratégias para se posicionar sem brigar
A assertividade é o equilíbrio entre a passividade e a agressividade. Algumas estratégias podem ser úteis, como utilizar mensagens focadas no “eu”. Por exemplo, em vez de afirmar “você nunca me escuta”, é mais eficaz dizer “eu me sinto ignorado quando tento falar e sou interrompido”.
Pequenas mudanças na linguagem podem evitar que a conversa se torne um confronto.
Outra técnica recomendada é evitar palavras absolutistas como “sempre” e “nunca”, que podem intensificar discussões. Além disso, manter um tom de voz calmo e uma postura aberta favorece um ambiente de diálogo mais produtivo. “Praticar a comunicação assertiva em pequenas situações pode facilitar a aplicação em momentos mais desafiadores”, destaca Beatriz.
Uma abordagem eficaz para se expressar de forma assertiva é a técnica Desc, que faz parte da Comunicação Não-Violenta. O método consiste em quatro passos: Descrever a situação de forma objetiva; Expor os sentimentos envolvidos; Solicitar uma mudança de comportamento; Indicar a consequência positiva dessa mudança.
Por exemplo, em caso de atraso sem aviso, pode-se dizer: “Quando você atrasa e não me avisa, fico preocupado e sem saber como reorganizar minha agenda”.
Reconhecendo o momento certo para dialogar
É importante considerar que nem sempre é adequado insistir em um diálogo no calor do momento. “Se a outra pessoa está alterada ou irritada, dificilmente conseguirá ouvir. Dizer algo como ‘agora não é um bom momento, conversamos depois’ não é fugir, mas sim reconhecer que aquele não é o melhor momento para um diálogo construtivo”, explica Campanhã.
O autoconhecimento também é fundamental. “Saber como você está emocionalmente antes de iniciar uma conversa importante faz diferença. Se perceber que está muito alterado, pode ser melhor respirar, refletir sobre a melhor forma de se expressar e voltar ao assunto depois”, acrescenta a psicóloga.
Superando o medo de desagradar
Muitas pessoas hesitam em se posicionar por medo da reação dos outros. “Se expor pode parecer ameaçador para quem aprendeu que é mais seguro ficar em silêncio. Mas é um medo que precisa ser enfrentado, pois, na maioria dos casos, não há um perigo real”, afirma Camila.
A exposição gradual pode ajudar a reverter esse padrão. “Se a pessoa começa a se expressar e percebe que o ambiente não reage de forma negativa, ela aprende que pode falar sem grandes consequências”, diz Brandão.
Entretanto, em relações abusivas, onde se posicionar realmente gera riscos, a busca por apoio profissional é essencial. Desenvolver habilidades de comunicação assertiva e reconhecer padrões comportamentais pode auxiliar quem evita discussões a se expressar de maneira equilibrada, sem brigar ou fugir dos diálogos.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



