Apostador fatura R 168 milhões com 50 mil bilhetes idênticos e vira alvo de investigação na China

Um morador da cidade de Nanchang, na província de Jiangxi, na China, levou para casa o prêmio acumulado de 220 milhões de yuan — o equivalente a cerca de R 168 milhões. Para isso, ele investiu 100 mil yuan na compra de 50 mil bilhetes, todos com a exata mesma combinação de números.
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A aposta, considerada atípica, gerou enorme repercussão e levantou suspeitas sobre a lisura do sorteio.
Diante da polêmica, o Departamento de Assuntos Civis de Jiangxi abriu uma investigação oficial para apurar a legitimidade do resultado. A suspeita recai sobre a baixíssima probabilidade estatística de alguém acertar os números com uma aposta tão volumosa e repetida.
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Investigação e posicionamento oficial
Representantes da China Welfare Lottery se pronunciaram publicamente. Eles afirmaram que não houve qualquer irregularidade no sorteio e que os registros de compra permanecem confidenciais para proteger a privacidade do vencedor. A empresa nega o uso de qualquer método ilícito e defende a transparência do processo.
O ganhador, por sua vez, disse que aposta regularmente há mais de cinco anos e que possui renda familiar elevada. A declaração, no entanto, não acalmou os questionamentos. O alto valor investido em uma única sequência numérica — 50 mil bilhetes idênticos — é visto como estatisticamente improvável por especialistas e pelo público.
Críticos apontam que a repetição da mesma combinação em larga escala não é uma estratégia comum entre apostadores comuns. A situação levanta dúvidas sobre como o apostador teve tanta certeza do resultado a ponto de desembolsar 100 mil yuan.
Manobra para isenção fiscal
Análises sobre a operação indicam que a compra maciça de bilhetes pode ter sido uma manobra planejada para escapar do imposto de renda. Ao adquirir 50 mil bilhetes idênticos, o valor de resgate individual de cada bilhete ficou abaixo de 10 mil yuan.
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Essa divisão permitiu que o prêmio total se enquadrasse abaixo do limite de tributação, evitando a cobrança da alíquota de 20%.
Com a estratégia, o apostador economizou cerca de 44 milhões de yuan em impostos — valor que, por si só, já supera o montante investido na aposta. A economia fiscal representa quase um quinto do prêmio bruto.
Apesar das suspeitas, as concessionárias da loteria mantêm a afirmação de que a premiação ocorreu dentro da regularidade. Elas seguem, no entanto, com as apurações para identificar possíveis brechas normativas ou irregularidades na aposta. O caso expõe uma zona cinzenta nas regras da loteria chinesa e reacende o debate sobre a necessidade de revisão dos limites de tributação e dos mecanismos de controle.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



