Após alta no primeiro semestre, feijão começa a ficar mais barato em supermercados brasileiros

Expectativas para os próximos meses indicam que a tendência de queda nos preços do feijão pode se intensificar, beneficiando os consumidores brasileiros.

Brasil tem pouco estoque de feijão-carioca

Os preços do feijão começam a apresentar sinais de alívio para os consumidores, após ter sido um dos principais responsáveis pela alta dos alimentos no primeiro semestre de 2026. Em julho, as prateleiras já mostram uma queda nos valores da leguminosa, embora essa redução ainda não acompanhe a diminuição observada nas regiões produtoras.

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A mudança ocorre pouco mais de um mês depois que o feijão liderou a inflação do varejo alimentar no Brasil. Um levantamento da Neogrid indica que, em junho, o preço médio do produto subiu 8% em relação a maio, passando de R 8,05 para R 8,70 por quilo.

Essa valorização foi impulsionada pela quebra da segunda safra devido a problemas climáticos e à diminuição da área plantada.

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Queda nos preços nas regiões produtoras

Recentemente, um relatório do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas) revelou que os preços começam a cair nas principais regiões produtoras. Em Minas Gerais e Goiás, por exemplo, a saca de feijão, que poucas semanas atrás era negociada acima de R300, agora é vendida próxima de R 280.

Negócios com valores ainda menores têm sido registrados nos últimos dias.

No entanto, essa queda ainda não chegou ao consumidor com a mesma velocidade. Dados do Ibrafe mostram que em São Paulo, o preço médio do feijão – carioca caiu de R 10,09 em junho para R 9,50 em julho — uma redução de 5,85%. O feijão – preto também apresentou queda: passou de R 10,25 para R 10,09.

Já em Recife, a redução foi mais expressiva; o feijão – carioca caiu de R 8,89 para R 8,19 por quilo (uma queda de 7,87%), enquanto o feijão – preto teve uma diminuição de 3,67%.

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Na Grande Belo Horizonte, o cenário é semelhante: o feijão – carioca registrou um recuo médio de 3,21% no mesmo período. Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, explica que essa diferença entre a velocidade da queda nos campos e no varejo é natural. “Entre a lavoura e o supermercado existem estoques adquiridos anteriormente e custos como beneficiamento e transporte”, destaca.

Expectativas para os próximos meses

Apesar das dificuldades atuais na transição dos preços do campo para as prateleiras dos supermercados, Lüders ressalta a importância de monitorar essa dinâmica. “Quando o feijão sobe na lavoura há preocupação imediata sobre o impacto nos preços ao consumidor; com a queda devemos observar com a mesma atenção quanto dessa redução chega efetivamente ao cliente final”, afirma.

O Ibrafe acredita que se os preços das sacas se mantiverem próximos aos patamares atuais ou recuarem para cerca de R 250 durante agosto, haverá espaço para uma diminuição mais significativa nos supermercados. Essa perspectiva pode estimular novas compras.

Entretanto, mesmo com esses sinais positivos no setor do feijão, ele continua entre os alimentos que mais subiram neste ano. De acordo com a Neogrid, entre dezembro de 2025 e junho deste ano houve um aumento considerável no preço do feijão no varejo brasileiro — apenas os legumes tiveram uma alta maior durante esse período.

Outros produtos ainda pressionam o orçamento

Embora haja um alívio crescente nos preços do feijão, outros alimentos continuam pressionando as finanças das famílias brasileiras. Em junho deste ano, os legumes apresentaram uma alta média de 4,2%, elevando o preço médio por quilo de R 7,93 para R 8,26; na região Norte esse aumento chegou até a 11,3%.

No acumulado do ano até agora, os legumes lideram as altas entre os alimentos com uma valorização impressionante de 50,2%.

Além dos legumes e do feijão enfrentando oscilações nos preços ao longo deste semestre estão itens como leite UHT (aumento acumulado de 23%), carne bovina (alta de 6%) e farinha de mandioca (crescimento de 5%). Por outro lado algumas categorias já começaram a aliviar os gastos das famílias: café em pó e grãos recuaram em média 3,2%, açúcar caiu 2,8%, assim como ovos (-1,8%) e óleo de cozinha (-1,7%.