Anvisa aprova Fruzaqla para câncer colorretal metastático após outros tratamentos
Uso oral em fases avançadas pode ampliar o controle da doença, mas exige acompanhamento médico para monitorar hipertensão, diarreia e síndrome mão-pé.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda – feira (31), o registro do Fruzaqla (fruquintinibe), medicamento destinado a pacientes adultos com câncer colorretal metastático que já passaram por diferentes tratamentos e voltaram a apresentar progressão da doença.
A autorização amplia as alternativas disponíveis para pessoas em fases mais avançadas do tratamento. O remédio é indicado após o uso de quimioterapia à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, terapia anti – VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) e, quando o tumor é RAS selvagem e clinicamente apropriado, terapia anti – EGFR (receptor do fator de crescimento endotelial.
Fruquintinibe amplia opções em fases avançadas
Para a oncologista Dra. Sabina Aleixo, a aprovação atende justamente pacientes que têm menos alternativas depois de tratamentos anteriores. Ela afirma que o medicamento apresentou benefícios no controle da doença e no aumento da sobrevida.
A oncologista Dra. Roberta Galvão também considera expressivo o ganho de sobrevida observado nos estudos. O Fruzaqla (fruquintinibe) entra em uma etapa posterior do tratamento, quando outras opções já foram utilizadas, e pode ajudar a controlar o câncer colorretal metastático por mais tempo.
Roberta explica que a indicação contempla pacientes adultos com câncer colorretal metastático submetidos a quimioterapias como fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano, além de terapias – alvo escolhidas conforme as características do tumor.
A medicação, portanto, não é voltada para todas as fases da doença.
Efeitos colaterais exigem acompanhamento médico
O Fruzaqla é uma medicação oral usada em linhas mais avançadas de tratamento. Entre os efeitos colaterais mais frequentemente relatados estão hipertensão, cansaço, diarreia, síndrome mão – pé e proteinúria.
Leia também
A síndrome mão – pé pode causar vermelhidão, sensibilidade e dor nas mãos e nos pés. Também podem ocorrer alterações na boca, perda de apetite e mudanças em exames. As médicas afirmam que o acompanhamento próximo permite identificar e tratar essas reações o quanto antes.
Registro não garante fornecimento imediato
A advogada especialista em direito à saúde Rose Tavares explica que a aprovação da Anvisa autoriza a comercialização do medicamento no Brasil para a indicação aprovada, após a análise de qualidade, segurança e eficácia. O registro sanitário, porém, não significa que o produto ficará imediatamente disponível para todos os pacientes.
Nos planos de saúde, é preciso avaliar as regras de cobertura da saúde suplementar e as características de cada caso. A legislação prevê cobertura para medicamentos antineoplásicos orais de uso domiciliar, observadas as regras aplicáveis. Já no SUS (Sistema Único de Saúde), o registro não representa incorporação automática.
Depois da autorização sanitária, a tecnologia pode ser analisada pela Conitec, que assessora o Ministério da Saúde na incorporação de medicamentos, produtos e procedimentos ao SUS. São consideradas as evidências de eficácia e segurança, a avaliação econômica e o impacto para o sistema público.
Mesmo após uma decisão favorável, ainda são necessárias medidas administrativas para que o fruquintinibe seja oferecido pelo SUS. Enquanto essa incorporação não ocorre, o paciente pode ter indicação médica para um medicamento registrado pela Anvisa sem que ele esteja disponível na rede pública.