Anúncios em redes sociais promovem tirzepatida, emagrecedor ilegal, no Paraguai

O contrabando de tirzepatida no Paraguai cresce, enquanto o Brasil vê aumento nas importações legais de medicamentos hormonais, refletindo mudanças no mercado.

Os links com convite para grupos de Whatsapp circulam livremente. Basta um clique para ter acesso à uma farmácia on-line com promoções, testemunho de usuários e SAC tira- dúvidas.

A tirzepatida, um medicamento amplamente procurado para emagrecimento, é comercializada no Paraguai sob diversos nomes como TG, Lipoless, Lipoland, Gluconex e Tirzec. Embora esses produtos sejam liberados no país vizinho, sua venda é proibida no Brasil.

O único emagrecedor desse perfil autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o Mounjaro, que requer orientação médica e retenção de receita para aquisição.

O risco do contrabando

A pena para quem for pego contrabandeando emagrecedores varia entre 10 a 15 anos de prisão, mas isso não parece intimidar os usuários comuns ou mesmo o crime organizado. Segundo informações da Receita Federal, este último se destaca como um dos maiores compradores desses produtos ilegais.

Somente na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, mais de 76 mil unidades de medicamentos foram apreendidas, totalizando uma avaliação de R 19 milhões. Os emagrecedores ocupam o segundo lugar entre os itens mais contrabandeados na região, ficando atrás apenas dos celulares durante o primeiro semestre de 2026.

Além disso, a Receita Federal aponta que o crime organizado está reduzindo a compra de cigarros falsificados para focar na aquisição de remédios. Isso reflete uma mudança significativa nas prioridades do mercado ilegal.

Crescimento nas importações legais

No entanto, há também um aumento expressivo nas importações legais desses medicamentos. Nos primeiros sete meses de 2026, o Brasil registrou uma escalada nas compras externas de medicamentos com hormônios polipeptídicos. Esse crescimento foi impulsionado pela alta demanda por canetas injetáveis de semaglutida e tirzepatida.

Dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as importações dessa categoria aumentaram mais de 85%, somando US 1,51 bilhão neste período comparado aos US 813 milhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior.

Leia também

A diferença crucial é que esses produtos são legalizados e regulamentados pelas autoridades brasileiras.

A quebra da patente da semaglutida facilitou a produção nacional desse medicamento. Recentemente, a Anvisa aprovou a primeira versão genérica do fármaco, ampliando ainda mais as opções disponíveis para os consumidores brasileiros.

Desafios regulatórios e saúde pública

A situação revela não apenas um desafio regulatório significativo para as autoridades brasileiras na luta contra o contrabando mas também levanta questões sobre saúde pública. O uso indiscriminado desses medicamentos pode acarretar riscos à saúde dos usuários que buscam soluções rápidas para emagrecimento sem supervisão médica adequada.

Com essa crescente demanda tanto por produtos legais quanto ilegais, fica evidente que as autoridades precisam redobrar esforços para garantir a segurança dos consumidores e coibir práticas ilegais que podem colocar vidas em risco.