ANP terá 120 dias para estudar combate ao uso de etanol na produção clandestina de bebidas

A ANP terá 120 dias para estudar medidas contra o uso de etanol na produção clandestina de bebidas. Descubra as propostas que podem mudar o cenário!

08/05/2026 22:26

3 min

ANP terá 120 dias para estudar combate ao uso de etanol na produção clandestina de bebidas
(Imagem de reprodução da internet).

ANP terá 120 dias para estudar uso de etanol na produção clandestina de bebidas

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) recebeu um prazo de 120 dias para desenvolver um estudo com propostas que visam coibir o uso de etanol hidratado combustível na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas. A decisão foi publicada na quarta-feira (6) no Diário Oficial da União, após deliberação do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

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A resolução sugere que o levantamento sirva como base para uma futura ação regulatória da ANP, que deve ser incluída na agenda oficial da agência e finalizada dentro do prazo estipulado. O estudo tem como objetivo apresentar alternativas regulatórias para melhorar a qualidade e a rastreabilidade do biocombustível, além de dificultar seu uso inadequado.

Análise de substâncias químicas

Entre os aspectos a serem analisados está a inclusão de substâncias químicas compatíveis com o uso automotivo que possam ser adicionadas ao etanol hidratado, de modo a desestimular o consumo humano. Uma das alternativas em discussão é o uso do benzoato de denatônio, conhecido por seu sabor extremamente amargo, o que tornaria o consumo inadequado.

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Antes de tomar uma decisão, a ANP deverá mapear os impactos operacionais e logísticos ao longo da cadeia de produção para avaliar a viabilidade da medida. Também será essencial analisar os possíveis efeitos ambientais e os impactos sobre a qualidade do combustível.

Prioridade do governo federal

O tema ganhou prioridade no governo federal após casos de intoxicação e mortes relacionadas ao uso de etanol adulterado. Nesse contexto, a ANP disponibilizou sua estrutura de fiscalização para apoiar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nas investigações.

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De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, o metanol encontrado em destilarias clandestinas teria origem em compras de etanol adulterado em postos de combustíveis.

A investigação sobre o esquema de desvio e venda irregular começou com as operações Carbono Oculto e Boyle. Nos terminais marítimos, empresas movimentavam a carga, que permanecia nos portos até ser enviada às unidades fabris. As investigações revelaram que, durante a transferência da carga ao cliente final, a composição do produto era alterada.

O esquema operava em três frentes principais: revenda irregular, fraude documental e destinação final para bebidas e combustíveis adulterados.

Riscos à saúde

Conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde), o metanol deve estar presente em bebidas apenas em concentrações inferiores a 0,1%. Acima desse limite, o consumo é considerado altamente tóxico. O metanol é um álcool industrial utilizado em combustíveis e produtos químicos, e mesmo em pequenas quantidades, pode causar intoxicação grave, com sintomas como dor de cabeça, náusea, visão turva e parada respiratória.

Segundo o Ministério da Saúde, entre setembro e outubro, foram confirmadas oito mortes em decorrência da adulteração de bebidas alcoólicas. Destas, seis ocorreram em São Paulo e duas em Pernambuco.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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