Animais do zoológico em Gaza enfrentam desnutrição e abandono em meio à guerra

A situação crítica dos animais em Gaza reflete o impacto devastador da guerra, com a escassez de alimentos e cuidados ameaçando sua sobrevivência.

18/08/2026 15:00

3 min

Leões abatidos pelos efeitos da guerra no zoológico de Gaza
Leões abatidos pelos efeitos da guerra no zoológico de Gaza

Enquanto as crianças adentram o zoológico próximo ao campo de refugiados de Nuseirat, em Gaza, se deparam com um leão que parece indiferente à sua presença e chimpanzés atordoados em seus recintos. Muitos dos animais estão debilitados e desnutridos devido à falta de alimentos, medicamentos e vacinas.

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Contudo, eles ainda permanecem vivos, em grande parte graças a Mahmoud Gomaa, o proprietário do zoológico.

Gomaa originalmente administrava o zoológico na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, mas precisou fugir em 2024 quando tropas israelenses invadiram a região. Com a escalada do conflito, ele transferiu os animais sobreviventes entre cidades até conseguir um espaço em Nuseirat no início deste ano.

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Ao reabrir o zoológico, sua intenção era oferecer um pouco de alívio para as crianças traumatizadas após quase três anos de destruição. “No início da guerra, as pessoas buscavam maneiras de sobreviver… e eu procurava uma maneira de salvar os animais, mais do que salvar a mim mesmo”, afirmou Gomaa à Reuters.

A situação dos zoológicos em Gaza

Antes do início do conflito entre Israel e Hamas, Gaza contava com vários zoológicos que exibiam uma variedade de animais exóticos, incluindo leões e águias. No entanto, veterinários e especialistas alertam que manter um zoológico funcionando atualmente é extremamente desafiador, principalmente por conta da dificuldade em obter alimentos para os animais em meio à crise alimentar que afeta a população local. “Atualmente, os donos desses animais estão alimentando – os com carne congelada”, explicou o veterinário Nidal Fadel. “Isso é uma catástrofe e um plano nutricional inadequado; na natureza, eles costumavam comer suas presas frescas.”

Os impactos da guerra nos animais são profundos e diretos. Quando Gomaa teve que deixar Rafah, deixou para trás três leões e outros animais como crocodilos e avestruzes africanas. Meses depois, ao retornar ao local, ele encontrou apenas ossadas dos crocodilos e avestruzes desaparecidos.

Os leões que ele havia trancado em suas jaulas também não estavam mais lá.

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Efeitos psicológicos sobre os animais

O estresse causado pelo ambiente hostil também afeta gravemente os animais restantes. “Os leões conseguem detectar sons e perturbações que muitos humanos podem não perceber”, comentou Amir Khalil, veterinário da organização Four Paws que já realizou diversas missões em Gaza para resgatar animais. “Os bombardeios constantes geram enorme estresse e medo neles”, acrescentou.

No zoológico de Nuseirat, o leão sobrevivente mal levanta a cabeça para observar os visitantes. Por outro lado, as crianças têm se divertido com outros animais: algumas deixaram papagaios pousarem em seus ombros enquanto acariciavam macacos menores.

Essa interação proporciona uma rara oportunidade de descontração em uma área marcada por ataques aéreos frequentes, mesmo com um cessar – fogo instável.

Karam Al – Mazin, visitante de 42 anos, expressou a realidade sombria enfrentada pela comunidade: “Hoje não existe nenhum lugar onde as crianças possam brincar. Não há nada além de escombros, pedras e barracas. Então elas estão entediadas e passam por uma situação muito difícil.”

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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