Aneel destina R5,63 bi para reduzir tarifas em dezesseis estados

Aneel aloca recursos bilionários para reduzir tarifas de energia elétrica em dezesseis estados brasileiros após nova lei.

19 estados brasileiros serão beneficiados. Na imagem, torres de transmissão de energia | Ricardo Botelho/MME

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) assinou aditivos contratuais nesta última sexta – feira, 26 de junho de 2026. A medida destina até R 5,63 bilhões para conter o aumento da energia elétrica em dezesseis estados brasileiros.

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O montante será usado justamente para suavizar os reajustes aplicados às tarifas pelas vinte e uma distribuidores que operam nas regiões Norte e Nordeste, além dos serviços prestados nos municípios do Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo.

Origem dos recursos bilionários

Os fundos vêm da antecipação paga referente ao UBP (Uso de Bem Público). Este é um encargo ou royalty cobrado das usinas hidrelétricas pelo uso dessas áreas públicas. A possibilidade dessa ação foi viabilizada pela Lei 15.235 em 2025.

A nova lei permitiu às empresas quitarem o valor devido à vista com cinco por cento de desconto sobre a cobrança original. Segundo dados divulgados na agência reguladora, vinte e dois companhias aderiram voluntariamente ao acordo, envolvendo no total vinte e nove grandes usinas.

Impacto do rateio nas tarifas

O objetivo principal é garantir um efeito médio que mantenha os reajustes tarifários próximos aos quatro vírgula cinquenta e um% para consumidores classificados como baixa tensão. Há uma projeção máxima (teto) desses ajustes em 5%, após ser concluído todo processo de recálculo entre julho e agosto.

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Na prática, a medida já conseguiu impedir aumentos muito expressivos na conta final dos clientes. Por exemplo, o caso da antiga Amazonas Energia mostra essa diferença: enquanto se estimava um encarecimento de até vinte três vírgula quinze por cento, apenas trinta e sete vírgula nove chegou a ficar aprovado para a faixa de baixa tensão graças à injeção desse recurso do UBP.

Divisão regional das reduções

O impacto financeiro não será distribuído igualmente em todas as empresas; ele foi estruturado especificamente para equilibrar os custos tanto das concessionárias atendidas pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) quanto pelas operadas na região Nordeste sob gestão da Sudene.

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Os reajustes definidos neste ano já incluem o benefício dessa ação nos estados como Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Para outras distribuidoras — Acre, Ceará, Rondônia, Roraima, Minas Gerais e Tocantins —, cujos processos de tarifaização já haviam sido homologados anteriormente, a Aneel fará uma republicação das tarifas com as devidas reduções começando em agosto.

Já para Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba e Piauí, essa redução será incorporada diretamente aos próximos ciclos tarifários também no mês seguinte à assinatura dos aditivos.

Perspectivas futuras da energia elétrica

Durante o processo formal de adesão ao acordo, Sandoval Feitosa, diretor – geral da Aneel, enfatizou que participar do pacto demonstra responsabilidade na manutenção do equilíbrio setorial diante desse cenário onde há grande pressão sobre os preços finais cobrados nas contas.

Ele apontou ainda dados importantes: encargos e subsídios regionais representam vinte vírgula nove por cento do valor total pago pelos consumidores neste ano. Segundo ele, políticas públicas deveriam vir compondo as verbas orçamentárias federais (Orçamento da União), mas acabam sendo pagas diretamente com a conta de luz dos brasileiros.

Feitosa também alertou o público consumidor que qualquer alívio provocado pela repactuação do UBP ou pelas devoluções tributárias recentes possui caráter apenas conjuntural. Sem uma reestruturação completa desses custos embutidos na tarifa elétrica, é esperado um aumento contínuo dessa pressão alta no setor; essa tendência será impulsionada tanto pelo necessário investimento e expansão das linhas de transmissão quanto pelos altos custeios exigidos nos leilões de capacidade para as distribuidoras manterem maior qualidade nas operações diárias.