Análise WW: crise no STF se espalha por Brasília após pronunciamento de Fachin

Fachin defendeu serenidade no caso, enquanto analistas veem impasse no STF e influência das futuras escolhas presidenciais para a composição da Corte.

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária na Cote, em 17 de outubro de 2024

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fez o primeiro pronunciamento institucional da Corte sobre o Caso Moraes durante a abertura de um evento acadêmico no STF. No discurso, afirmou que a instituição deve agir “no tempo devido” e “sem precipitação”.

Fachin classificou como um “momento de especial gravidade” a situação vivida pelo tribunal. Para ele, a crise tem dois polos: a atuação processual questionada e a existência de fatos que, na avaliação da Presidência, exigem “serenidade, responsabilidade e firmeza”.

Edson Fachin fala em crise de dois polos

Ao mencionar o primeiro ponto, o presidente do STF se referiu aos questionamentos sobre a atuação de André Mendonça. O ministro encomendou diretamente à Polícia Federal um relatório que acabou detalhando trocas de mensagens do ex – banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.

“De um lado, a atuação processual”, disse Fachin. Na sequência, acrescentou: “De outro, sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”. O pronunciamento marcou a manifestação institucional do STF sobre o caso.

Durante a análise do episódio, Lucas de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice, afirmou que o próximo presidente vai escolher três ou quatro ministros do Supremo. Na avaliação dele, essas escolhas vão influenciar o “cabo de guerra” observado dentro da Corte.

Análises apontam impasse no Supremo

Aragão disse que o STF está em um “labirinto absolutamente difícil de sair” e avaliou que cada integrante tem uma motivação, um medo ou um argumento. Para ele, é pouco provável que o tribunal consiga apresentar uma resposta à sociedade no curto e no médio prazo.

Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, afirmou que há “um clima de pizza começando a assar em Brasília”. Ele citou uma conversa de Lula com ministros do Supremo, que fariam parte do clube de apoio a Alexandre de Moraes, além de uma tentativa de expor André Mendonça por receber Daniel Vorcaro.

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Rittner também avaliou que, no discurso, Edson Fachin equiparou a atuação processual de Mendonça aos fatos “graves” relacionados a Moraes. A leitura dele é que o pronunciamento colocou os dois pontos dentro da mesma crise institucional.

Caio Junqueira, analista de Política da CNN, afirmou que o Palácio do Planalto tenta manter uma equidistância. Segundo ele, o governo considera a resistência estruturada do Supremo, formada por pessoas com poder e prerrogativas legais para se blindar, enquanto “as ruas estão olhando estupefatas”.

Junqueira citou Davi Alcolumbre, na Presidência do Senado; Paulo Gonet, na Procuradoria – Geral da República; e a Polícia Federal como integrantes desse cenário. Já Thais Heredia, analista de Economia da CNN, disse que Lula tenta se apresentar como um político “antisistema”.

Para Thais Heredia, o jantar promovido por Alexandre de Moraes em sua casa, com a presença de Davi Alcolumbre e Lula, é um episódio recente que se encaixa no que ela chamou de “sistema” em Brasília.