Análise: Republicanos enfrentam déficit de entusiasmo na convenção, com democratas à frente
Levantamentos indicam vantagem democrata superior a dez pontos entre eleitores muito motivados, enquanto Trump mobiliza mais críticos que apoiadores.
Ainda não está claro se a incomum convenção republicana desta semana será capaz de mobilizar a base nos dois últimos meses de campanha. As pesquisas mais recentes, porém, indicam que o partido precisa de ajuda: os democratas mantêm uma vantagem expressiva no entusiasmo dos eleitores para as eleições de meio de mandato.
Donald Trump, que tem sido a principal estrela da convenção, também aparece como um fator de motivação mais forte para os críticos do que para os próprios apoiadores. O cenário coloca os republicanos diante de uma reta final difícil.
Democratas lideram entre eleitores mais motivados
As pesquisas mais recentes sobre o entusiasmo eleitoral foram divulgadas pela Universidade de Massachusetts e pela Reuters – Ipsos na semana passada. Nos dois levantamentos, os democratas superaram os republicanos por mais de dez pontos entre os eleitores que disseram estar “muito entusiasmados” com a votação.
Na pesquisa da Universidade de Massachusetts, a vantagem foi de 42%-30%. No levantamento da Reuters – Ipsos, o resultado ficou em 40%-27%. Os democratas também apareceram à frente entre os eleitores que afirmaram estar pelo menos “um pouco entusiasmados”, embora por uma diferença menor.
Os números da Reuters – Ipsos foram semelhantes aos registrados em novembro de 2025, pouco depois de os democratas terem tido uma eleição muito boa. O resultado também se aproxima de pesquisas divulgadas em julho por outras empresas. Um levantamento da CNN conduzido pela SSRS mostrou uma diferença de 14 pontos entre os eleitores “extremamente” motivados a votar: 60% entre democratas e independentes que se inclinam para os democratas, contra 46% entre republicanos e independentes que se inclinam para o GOP.
Pesquisas repetem padrão visto em 2018
A vantagem democrata foi menor, de 6 pontos, entre os entrevistados que disseram estar “extremamente” ou “muito” motivados a votar. Nesse grupo, o resultado foi de 79%-73%. Já uma pesquisa do Washington Post apontou que os eleitores que se inclinam para os democratas eram 7 pontos mais propensos a estar “absolutamente certos” de que iriam votar: 73%-66%.
Na mesma pesquisa, a diferença chegou a 21 pontos entre os que disseram ser “mais importante” votar em 2026 do que nas eleições de meio de mandato anteriores: 70%-49%. A Quinnipiac University encontrou uma distância de 18 pontos nessa questão, com resultado de 57%-39%.
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A semelhança dos resultados aparece tanto entre as empresas de pesquisa quanto nos diferentes tipos de pergunta. O padrão também lembra 2018, último ano de eleição citado no levantamento e marcado por uma boa votação dos democratas na Câmara.
Naquele período, as pesquisas indicavam vantagem de dois dígitos para os democratas entre os eleitores mais motivados e de um dígito médio a alto entre os que tinham certeza de que votariam.
Os levantamentos do Washington Post e da Quinnipiac no verão de 2018 mostraram ainda uma vantagem democrata de 17 a 18 pontos entre os eleitores que consideravam mais importante votar naquele ano do que em outras eleições de meio de mandato. Mesmo com uma diferença de entusiasmo parecida, a eleição terminou próxima o suficiente para que o GOP ganhasse cadeiras no Senado, graças a um mapa favorável e à presença de vários democratas de estados vermelhos em disputas difíceis pela reeleição.
Trump motiva mais a oposição do que a base
Os dados também medem o peso de Trump na decisão dos eleitores. De acordo com a pesquisa da Universidade de Massachusetts, 62% dos democratas concordaram “fortemente” que votariam, em parte significativa, com base em seus sentimentos sobre Trump.
Entre os republicanos, esse índice foi de apenas 26%.
Na pesquisa da CNN, 70% dos eleitores que se inclinam para os democratas disseram que o voto seria uma mensagem de oposição a Trump. Entre os que se inclinam para os republicanos, 41% afirmaram que a votação representaria uma mensagem de apoio.
Uma pesquisa do Pew Research Center realizada em julho mostrou diferença semelhante: 81% dos eleitores democratas disseram que o voto seria uma mensagem contra Trump, enquanto 42% dos eleitores republicanos o associaram a uma demonstração de apoio.
Os resultados indicam que a base republicana não está tão mobilizada para comparecer às urnas em apoio ao presidente. A convenção pode fazer alguns apoiadores se lembrarem das razões pelas quais defenderam Trump com mais força no passado ou convencê – los de que eleger outros republicanos é importante.
Por outro lado, a tendência de Trump de transformar a disputa em uma questão pessoal também pode reforçar a indiferença de parte da base em relação ao voto.