Américo Martins revela os perigos da cobertura da guerra na Ucrânia a 17 km das tropas russas

Américo Martins revela os desafios e perigos da cobertura da guerra na Ucrânia, a apenas 17 km das tropas russas. Descubra os bastidores dessa experiência

28/05/2026 23:16

3 min

Américo Martins revela os perigos da cobertura da guerra na Ucrânia a 17 km das tropas russas
(Imagem de reprodução da internet).

Relato de um jornalista na linha de frente da Ucrânia

A apenas 17 quilômetros das tropas russas, o analista sênior de Internacional, Américo Martins, compartilhou os bastidores tensos e perigosos da cobertura da guerra na Ucrânia. Em uma entrevista, ele detalhou a rotina em uma região próxima à linha de frente, onde os moradores enfrentam diariamente o conflito, e onde cada pequeno detalhe pode ser crucial para a sobrevivência.

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Durante uma gravação na área, Américo foi surpreendido por uma sirene de alerta de ataque. “Agora a gente ouve uma sirene de ameaça de ataque, portanto eu vou acelerar a minha entrada aqui, porque temos”, disse ele enquanto registrava sua reportagem.

Américo explicou que, nas proximidades de Kharkiv, as principais estradas foram cobertas com telas sustentadas por postes de madeira, estendendo-se por quilômetros. Essa medida foi adotada para proteger o transporte de armas, equipamentos e soldados dos pequenos drones que infestam a linha de frente. “Toda hora tem drones normais, de prateleira, que você compra numa loja.

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E muitos deles têm explosivos, que detonam quando encontram inimigos”, descreveu.

Orientação em meio ao conflito

Para se orientar sobre a posição exata das forças russas, o jornalista utilizou um aplicativo chamado DeepState, que mostra em tempo real os avanços do conflito, os pontos de bombardeio e a distância entre o usuário e as linhas inimigas. Ele destacou que, nas áreas próximas à linha de frente, os moradores costumam desligar a internet para dificultar uma possível localização pelos russos.

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A presença do fixer local, Dima, foi fundamental para a segurança da equipe. Com um profundo conhecimento do terreno e dos protocolos de segurança, Dima tomou a decisão imediata de evacuar o local quando os disparos começaram a ser ouvidos, indicando que os soldados ucranianos estavam tentando abater drones nas imediações. “O Dima quase me pegou pelo colarinho, vamos embora, porque eu não estou gostando nada disso.

Eu já vi isso, eu já vi ataque com drone e vamos cair fora daqui”, relatou Américo.

O desafio de cobrir zonas de guerra

Questionado sobre o medo de cobrir zonas de guerra — tendo estado três vezes na Ucrânia e duas vezes em Israel —, Américo foi direto: “Claro, a gente sente medo. Você está indo para o desconhecido.” Ele revelou que, em uma das viagens anteriores à linha de frente, chegou a pensar na possibilidade de não voltar. “Pensei nas minhas filhas, pensei na minha família, pensei na minha mulher.

Na possibilidade de que, meu Deus, talvez não volte”, confessou.

No entanto, o jornalista enfatizou que o medo não pode ser paralisante. “Porque se for, você não consegue fazer o seu trabalho, porque o seu trabalho é contar a história do que está acontecendo ali, contar a história das pessoas”, disse. Ele também mencionou os protocolos adotados, como o uso de colete à prova de balas, e lembrou que mais de 130 jornalistas morreram na Ucrânia desde o início do conflito. “As coisas infelizmente dão errado, às vezes”, reconheceu, reforçando que o risco, embora calculado, nunca é zero.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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