Americanos perdem casas em Burj Rahal após ataque militar israelense em maio de 2026

A destruição em Burj Rahal reflete a escalada do conflito, deixando cidadãos americanos sem lares e intensificando as preocupações sobre a segurança na região.

Um ataque aéreo do Exército israelense é visto em 19 de junho de 2026 em Nabatieh, Líbano

Maysa Moghnie, que cresceu em Burj Rahal, no sul do Líbano, viu sua casa de infância ser reduzida a escombros. O imóvel, fruto de décadas de trabalho do pai, foi destruído em um ataque militar israelense na manhã de 9 de maio. Apesar do cessar – fogo declarado, a região enfrenta uma série de ataques e bombardeios. “Todas as nossas lembranças são dele construindo esta casa”, disse Moghnie, que atualmente reside em Irvine, na Califórnia.

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A casa de três andares era uma construção imponente, com paredes de pedra e varandas ornamentadas. O espaço foi cenário de uma festa de noivado da irmã gêmea de Maysa, repleta de música e alegria. No entanto, momentos antes do ataque, seus pais e sua irmã deixaram a residência por conta do barulho incessante causado pelos drones e aviões. “Minha mãe não aguentava mais os drones e todos aqueles barulhos ensurdecedores”, contou.

Destruição em massa no sul do Líbano

Moghnie é uma entre vários cidadãos americanos que afirmam ter perdido suas casas devido à escalada do conflito. Desde o reinício dos combates em março deste ano, quase 18 mil residências foram devastadas. Esses dados são parte de uma avaliação realizada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) divulgada em junho.

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Mesmo após o cessar – fogo entrar em vigor em abril, os ataques israelenses se intensificaram.

Enquanto muitos cidadãos americanos deixaram a região, alguns decidiram ficar por laços familiares ou compromissos profissionais. A sogra de Moghnie permanece em Burj Rahal com sua casa ainda intacta, apesar dos danos causados pelas explosões nas proximidades.

Anwar Ghaida, um empresário americano da vila de Hasbaya, também vivenciou a destruição; sua propriedade foi alvo de ataques duas vezes: uma em 2024 e outra recentemente. O primeiro ataque resultou na morte de três jornalistas hospedados em seu bangalô.

Reações à destruição e ações legais

A situação precária no sul do Líbano tem gerado preocupações entre os libaneses – americanos que conhecem bem os horrores da guerra. Muitos deles já enfrentaram conflitos anteriores e observam com apreensão as táticas mais agressivas utilizadas atualmente pelas forças israelenses.

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Uma análise recente mostrou a destruição sistemática de infraestrutura civil por meio de demolições controladas por tratores e escavadeiras.

O ministro da Defesa israelense defendeu essas ações como necessárias para eliminar ameaças do Hezbollah. Enquanto isso, Volker Türk, chefe dos direitos humanos da ONU, pediu ao país que cesse a ocupação e interrompa as demolições das casas.

Nos Estados Unidos, a ACRL (Liga Árabe – Americana de Direitos Civis) está preparando uma ação civil contra o governo americano por conta das perdas sofridas por cidadãos americanos no Líbano. “O governo americano tem a obrigação de proteger os cidadãos americanos e as propriedades americanas no exterior”, afirmou Nasser Beydoun, presidente da ACRL.

A dor da perda e as memórias

Cerca de 180 famílias estão envolvidas na ação judicial buscando compensação financeira pelas perdas sofridas durante o conflito. Mohamad Fayyad Reda é um exemplo disso; aposentado após anos no Bank of New York, ele construiu uma casa em Yaroun apenas para vê – la ser destruída nos recentes conflitos.

Reda monitora sua propriedade através de imagens satélites desde que se mudou para Winter Springs na Flórida para viver com os filhos. “Após o primeiro ou segundo cessar – fogo foi quando decidiram demolir a casa”, relatou Reda sobre a destruição sistemática enfrentada pela comunidade onde cresceu.

Jihad Samhat também expressou seu desespero ao ver sua aldeia sendo atacada enquanto estava nos Estados Unidos com sua família. Ele já havia vivido diversas ocupações anteriores no Líbano mas afirma que essa situação é sem precedentes: “Um dia consigo ver minha casa ainda lá; uma semana depois ela não existe mais.”