Amazon é processada nos EUA após FTC apontar alta ilegal e prejuízo de US 20 bilhões

A ação, apoiada por 22 estados, pode levar a indenizações de dezenas de bilhões, enquanto a Amazon nega irregularidades.

01/09/2026 00:41

4 min

Logo da Amazon
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A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) acusou a Amazoncom de elevar ilegalmente os preços cobrados de anunciantes. A denúncia foi protocolada nesta segunda – feira (31) em um tribunal federal no Distrito Oeste do estado de Washington e afirma que a empresa aumentou, sem informar os clientes, o valor mínimo necessário para exibir anúncios de produtos.

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A ação foi apresentada pela agência em conjunto com um grupo bipartidário de 22 estados norte – americanos. A FTC estima que a prática tenha causado prejuízos de US 20 bilhões ou mais aos anunciantes e informou que pretende pedir indenizações de “dezenas de bilhões”, embora o valor exato ainda não tenha sido definido.

FTC acusa Amazon de manipular leilões de anúncios

O processo envolve três formatos exibidos nas páginas de busca da Amazon: produtos patrocinados, anúncios de marca e anúncios gráficos. Esses espaços são definidos em leilões que acontecem em frações de segundo, geralmente depois que o usuário digita um termo de pesquisa.

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Nesse sistema, os computadores dos anunciantes fazem ofertas pelo direito de mostrar suas mensagens. A FTC afirma que a Amazon também entrava em alguns desses leilões com lances próprios, o que teria provocado aumentos nos valores pagos pelos demais participantes.

Segundo a denúncia, a empresa ainda tentou esconder dos anunciantes a participação desses lances. Até 80% dos leilões de produtos patrocinados teriam sofrido algum tipo de intervenção da Amazon, de acordo com a agência.

Empresa nega irregularidades e cita redução de custos

A FTC sustenta que o encarecimento da publicidade acabou afetando os consumidores. Para a agência, empresas que anunciam na plataforma repassaram parte dos gastos adicionais aos preços dos produtos vendidos na Amazon. “A Amazon conseguiu gerar bilhões de dólares em lucros — às custas de seus clientes de publicidade em leilão”, declarou a FTC na ação.

A Amazon negou ter cometido irregularidades em uma publicação feita em seu blog nesta segunda – feira (31). A empresa disse que suas regras de publicidade procuram apresentar aos compradores os anúncios mais relevantes e afirmou que o custo médio por clique permaneceu estável de 2019 a 2024, enquanto as vendas geradas por esses cliques cresceram.

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“A abordagem da Amazon em relação aos preços contradiz qualquer sugestão de prejuízo ao consumidor”, afirmou a empresa. A companhia também declarou ter reduzido despesas para anunciantes e estimou uma economia de cerca de US 8 bilhões entre 2021 e 2025. “O valor médio dos lances vencedores caiu 50% de 2019 a 2025 em anúncios de busca de produtos patrocinados”, disse a Amazon.

Negócio de publicidade cresce e ações recuam

Com sede em Seattle, a Amazon afirmou ainda que oferece aos clientes “os preços mais baixos todos os dias” e que busca manter valores no varejo e em supermercados iguais ou menores que os de outros varejistas. A empresa também disse que sua política de preços não prejudica os consumidores.

A gigante do varejo ampliou os investimentos em publicidade e ocupa atualmente a posição de terceira maior empresa de publicidade digital do mundo, atrás de Google e Meta. As vendas do setor cresceram 26% no segundo trimestre deste ano, para US 19,8 bilhões, e avançaram 22% em todo o ano de 2025, alcançando US 68,6 bilhões.

As ações da Amazon recuaram cerca de 2,5% nesta segunda – feira (31). Em setembro do ano passado, a empresa havia concordado em pagar US 2,5 bilhões em multas e reembolsos a assinantes do Prime para encerrar acusações da FTC de que teria enganado clientes com o objetivo de gerar assinaturas.

A empresa também deverá comparecer ao tribunal no próximo ano para responder a outro processo da FTC. Nesse caso, o órgão regulador acusa a Amazon de manter um monopólio ilegal sobre o poder de precificação e sobre sua relação com vendedores terceirizados.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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