Alcolumbre libera pautas prioritárias, mas votação de projetos do governo fica para após as eleições

Alcolumbre sinaliza que a votação de propostas prioritárias, como a PEC da Segurança Pública, ocorrerá apenas após o segundo turno das eleições.

Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva receives the New President of the Senate, Senator Davi Alcolumbre, and Federal Deputy Hugo Motta, New President of the Chamber of Deputies, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on February 3, 2025. (Photo by )

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União – AP), liberou as pautas prioritárias para o governo, mas o Planalto terá que aguardar a votação de temas que serão utilizados na campanha eleitoral. Propostas como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública são consideradas centrais pelo Executivo, mas devem ser debatidas na Casa Alta apenas após as eleições.

Na última sexta – feira (14), Alcolumbre se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para alinhar os pontos que precisam avançar no Senado.

A redução da jornada de trabalho é um dos assuntos mais sensíveis. A PEC que busca acabar com a escala 6×1 foi aprovada pela Câmara em maio, mas encontra – se parada no Senado desde então. Alcolumbre justificou sua decisão ao afirmar que evitaria que o tema “contaminasse” as eleições.

Ele também mencionou que aguardava um contato do Planalto para discutir a proposta, mas esse diálogo não ocorreu até agora.

Expectativas para a tramitação das propostas

Após a reunião com Lula, Alcolumbre sinalizou que a PEC poderá avançar em novembro. Além disso, ele confirmou que dará andamento à tramitação da PEC da Segurança Pública, aprovada em março e considerada prioritária para o governo no combate ao crime organizado.

Essa questão tem sido uma preocupação central entre os eleitores e ganhou destaque nas últimas eleições.

Lula apresenta essa PEC como um eixo fundamental em seu plano de governo para um possível quarto mandato. A proposta visa dar status constitucional ao SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) e institucionalizar o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Nacional Penitenciário, garantindo financiamento obrigatório mesmo em situações de contingenciamento, similar aos setores de Saúde e Educação.

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A expectativa é de que essa proposta seja discutida novamente em novembro, após o segundo turno das eleições.

Pautas adicionais discutidas na reunião

No encontro entre Alcolumbre e Lula, também foi tratado o PL 2780/2024, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Esta proposta, já aprovada pela Câmara, cria o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

O objetivo é incentivar pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses minerais no Brasil, além de estabelecer mecanismos de financiamento e estímulo à agregação de valor.

A tendência entre os congressistas é que as propostas da Câmara e do Senado avancem em conjunto. Durante a coletiva após a reunião, Alcolumbre descreveu o diálogo com Lula como “maduro, republicano e franco”. Para ele, como presidente do Congresso Nacional, é sua responsabilidade assegurar que as matérias apresentadas ao Parlamento sejam devidamente encaminhadas com respeito às prerrogativas do Poder Legislativo.

Troca de declarações amistosas

A cúpula do PT também comemorou o encontro. O presidente do partido, Edinho Silva, afirmou na noite de sexta – feira (14) que a interação entre Alcolumbre e Lula tem sido de “altíssimo nível”, resultando na construção de uma agenda importante para as pautas governamentais.

Ele destacou ainda a relevância das propostas para o Brasil. “O fim da 6×1 é fundamental para o trabalhador; a PEC da Segurança Pública ajudará a construir um pacto federativo mais eficiente no combate à criminalidade”, declarou Silva.

Apesar do avanço nas pautas discutidas, um novo obstáculo surge: o período eleitoral. Até início de outubro, deputados e senadores estarão focados em suas bases eleitorais para as campanhas. Assim, as votações na Câmara e no Senado ficarão limitadas à semana de esforço concentrado; as próximas sessões plenárias estão programadas entre 31 de agosto e 4 de setembro.

Contudo, esse tempo pode ser insuficiente para discutir as PECs na Comissão de Constituição e Justiça antes de serem adiadas para novembro.