ADPF PREOCUPA-SE COM RETORNO DE DELEGADOS FEDERAIS

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou preocupação na sexta-feira, 19 de junho de 2026, com a recente determinação do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A medida exige o retorno de delegados federais que foram cedidos para atuar em órgãos de diferentes Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário.
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A entidade argumenta que tal diretriz pode prejudicar o desempenho de funções consideradas estratégicas para o Estado e que a Polícia Federal enfrenta desafios de natureza estrutural, e não de atuação em outras esferas governamentais.
Escopo da Devolução e Justificativa Governamental
A preocupação da ADPF surge após o Ministério da Justiça enviar uma série de ofícios solicitando o recolhimento dos policiais federais. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, confirmou que foram encaminhados cerca de 100 pedidos de retorno a mais de 50 órgãos, abrangendo esferas federal, estadual e municipal.
Segundo o Ministério, essa ação faz parte de um processo contínuo, iniciado no final de abril, e visa o reforço das atividades finalísticas e o combate ao crime organizado. O governo alega que o movimento se enquadra em uma diretriz presidencial de valorização e fortalecimento da segurança pública.
A ADPF, por sua vez, enfatiza que os delegados destacados em outras instituições são escolhidos por sua alta qualificação técnica e experiência acumulada na Polícia Federal. Para a associação, o intercâmbio profissional entre diferentes órgãos é um mecanismo vital que fortalece o diálogo institucional e o desenvolvimento de políticas públicas no Brasil.
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Foco em Desafios Estruturais, Não em Atuação Externa
A associação defende que o principal desafio que a Polícia Federal enfrenta não é a atuação de seus delegados em outros órgãos, mas sim questões intrínsecas à carreira. A ADPF aponta que o fortalecimento da corporação exige medidas voltadas à valorização profissional e à retenção de talentos, e não a restrição de suas atividades em outras administrações públicas.
Dados apresentados pela própria ADPF indicam um cenário de evasão de profissionais. Nos últimos três anos, a corporação recebeu 104 novos delegados, mas registrou a saída de 50 profissionais, que optaram por outras carreiras. Esse fluxo sugere um desafio de retenção de capital humano.
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Além disso, o interesse pelos concursos públicos da Polícia Federal tem diminuído consideravelmente. A associação divulgou que o número de inscritos caiu de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025, evidenciando a necessidade urgente de reformulação da carreira.
A ADPF ressalta que os profissionais cedidos desempenham funções de elevada relevância para o interesse nacional, contribuindo efetivamente para a gestão estatal e o aprimoramento de políticas públicas em diversas esferas. A manutenção desse intercâmbio é vista como crucial para a capacidade do Estado de responder a desafios complexos.
Portanto, a entidade conclui que o foco deve ser o aprimoramento das condições de trabalho e a valorização da carreira policial, garantindo que a estrutura da força policial possa cumprir seu papel sem comprometer a experiência e o conhecimento acumulado em outras esferas governamentais.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



