ADM planeja expansão no Brasil e aposta em soja para crescimento estratégico

Expansão da ADM no Brasil
O Brasil é reconhecido por ter energia a preços competitivos e potencial para aumentar a produção de soja, especialmente em áreas de pastagens degradadas. Nesse contexto, a ADM, uma das principais indústrias alimentícias globais, planeja expandir sua capacidade de esmagamento de soja no país.
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Jayson Lee, vice-presidente de esmagamento de grãos e análise de riscos da ADM na América Latina, destaca que o Brasil é considerado um ativo estratégico para essa expansão, embora não tenha revelado detalhes sobre investimentos ou projetos específicos.
Ele afirma que a empresa já opera próximo da capacidade máxima de suas fábricas, o que é ideal para a geração de valor. Lee menciona que, com a continuidade das safras recordes e o aumento da demanda por produtos de maior valor agregado, especialmente no setor de proteína animal e na mistura obrigatória de biodiesel, há oportunidades significativas de crescimento no mercado interno.
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Investimentos e Crescimento no Setor
A ADM recentemente investiu na ampliação de três unidades de processamento de oleaginosas, totalizando um aumento de 400 mil toneladas na capacidade de esmagamento anual, nas fábricas de Campo Grande (MS), Porto Franco (MA) e Uberlândia (MG). Esse movimento reflete um volume histórico, com a companhia registrando um recorde de 4% a mais em relação ao volume processado em 2024.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o esmagamento de soja no Brasil deve alcançar 61,5 milhões de toneladas. O crescimento da atividade industrial está ligado à oferta de produtos de maior valor agregado na cadeia agrícola e à alta demanda interna por farelo e óleo.
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A Abiove estima que a produção de farelo de soja será de 47,4 milhões de toneladas, com um aumento de 0,9% em relação a janeiro, enquanto a produção de óleo de soja deve atingir 12,3 milhões de toneladas, com um crescimento de 0,8%.
Desafios e Oportunidades no Setor de Commodities
Embora o Brasil, junto com os EUA, seja um dos maiores produtores de soja do mundo, a maior parte da produção é destinada à exportação. No entanto, o processamento está se adaptando para atender à demanda interna por produtos de maior valor agregado.
Lee observa que, ao focar na exportação de commodities, o Brasil perde a chance de comercializar produtos com maior valor agregado, o que poderia beneficiar a economia nacional, diversificando produtos e aumentando a empregabilidade, a renda e a arrecadação de impostos.
Lee também menciona que o setor de commodities agrícolas enfrenta limitações em termos de poder de decisão e diferenciação de preços, o que torna a gestão de custos essencial. A escolha de processar ou não, e onde fazê-lo, depende de uma análise econômica que considera rentabilidade e eficiência operacional.
A eficiência operacional e a utilização máxima dos ativos industriais são cruciais para reduzir custos por tonelada processada.
Logística e Eficiência Operacional
Entre os desafios que afetam as margens da indústria, a logística é um fator importante. A capacidade de integrar a logística e a eficiência nas rotas de escoamento é fundamental para equilibrar custos e conectar produtos a mercados estratégicos.
Apesar do Brasil ter um sistema de transporte predominantemente rodoviário, o custo elevado do frete é uma preocupação.
A diversificação dos modais de transporte é uma estratégia para mitigar essa pressão. Lee destaca que o uso de ferrovias pode reduzir os custos de frete em até 30%, enquanto as hidrovias podem proporcionar uma redução de cerca de 50%. A ADM está trabalhando em novos fluxos logísticos que permitem traçar rotas mais eficientes, utilizando tecnologia para otimizar esses processos.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



