Abelardo De La Espriela deve pedir desculpas após cerimônia religiosa em Cali

Abelardo De La Espriela enfrenta pressão judicial após cerimônia religiosa que desafiou princípios da secularidade estatal em Cali.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella – foto: Jaime Saldarriaga/AFP

Um juiz colombiano determinou que Abelardo de la Espriella se desculpe publicamente após seu ato de posse, alegando violação ao princípio estatal secularidade.

A ordem judicial exige o pedido formal devido à cerimônia realizada na cidade de Cali, onde houve participação conjunta entre um rabino judeu, um padre católico e um pastor evangélico. A declaração foi feita porque De la Espriella teria falhado com os preceitos do Estado laico durante a investidura presidencial.

Exigência Judicial: Desculpa Pública sobre Secularismo

Segundo uma decisão em primeira instância divulgada nesta quinta – feira (27), Abelardo de la Espriella deve se desculpar publicamente no dia 30 de setembro às 19h locais — horário que corresponde a 21h em Brasília. O pedido será transmitido por rádio e televisão para reconhecer ter violado o princípio da neutralidade religiosa, garantida pela Constituição colombiana.

Além das palavras públicas, ele também terá que emitir um decreto oficial direcionando aos funcionários públicos do governo.

Este documento deverá ordenar que os servidores “respeitem e façam respeitar” essa neutralidade estatal durante todos os atos realizados pelo poder público colombiano.

Contexto Político: A Imagem Religiosa na Posse

O presidente de direita realizou sua cerimônia no dia 7 de agosto em Cali sob a denominação “invocação e louvor”. Durante este evento houve cânticos religiosos, orações coletivas e vivas dirigidas a Israel. O ato ocorreu junto à presença simbólica de um altar dedicado à virgem de Fátima.

A trajetória política do ex – advogado milionário também tem sido marcada por referências religiosas fortes.

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Críticas sobre Direitos Fundamentais

Embora no passado tenha se declarado ateu, durante a campanha presidencial Abelardo de la Espriella assegurou ter vivido uma transformação pessoal profunda rumo à fé divina. Essa postura foi apoiada por diversas igrejas diferentes na candidatura dele, figurando também setores evangélicos dentro do novo governo colombiano.

A oposição política questiona veementemente as ações governativas sob alegação que há um movimento buscando retroceder direitos fundamentais e impulsionar tanto a família tradicional quanto os aspectos religiosos da sociedade colombiana.

Um dos decretos iniciais criticados nessa linha é aquele emitido pelo Ministério da Educação para permitir que instituições religiosas participem das estratégias pedagógicas em escolas públicas municipais. Outra medida alvo de críticas veio da entidade responsável pela defesa legal dos menores no país: ela decidiu eliminar expressões como “meninos e meninas” nos documentos oficiais, substituindo – as apenas por “infância”.