86% das juízas brasileiras ganham menos do que colegas masculinos
Juízas brasileiras continuam com salários inferiores aos dos colegas masculinos nos tribunais federais e estaduais.
Dados recentes apontaram para uma persistente disparidade salarial no Judiciário brasileiro: 86% das juízas trabalham em tribunais onde ganha menos do que seus colegas masculinos.
O levantamento revela o desafio de gênero na remuneração dos magistrados e magistradas nos estados brasileiros. Segundo a pesquisa “Gênero, Poder e Remuneração nos Tribunais de Justiça Brasileiros”, produzida pelo Justa – organização focada na economia política da justiça –, essa desigualdade já era notável desde anos anteriores ao estudo mais recente realizado até agora pela instituição.
A persistência da diferença salarial entre gêneros
Os números são alarmantes: em 2025, foram identificados tribunais onde as juízas recebiam menos que os homens no mesmo cargo; esse percentual atingiu 86% das magistradas. Em comparação com o ano anterior (em 2024), quando a taxa ainda estava em /82%, mostra como essa questão se mantém um problema estrutural.
A análise do Justa abrangeu dados de remuneração coletada ao longo dos últimos dois anos, entre janeiro e dezembro de dezembro/2025 para evitar que flutuações mensais distorcessem os resultados. O estudo analisou folhas de pagamento ativas em 25 Estados diferentes da federação brasileira.
Onde a diferença salarial foi mais acentuada
Os cálculos revelaram casos extremos dessa desigualdade nos estados brasileiros. No âmbito das juízas do primeiro grau, o Estado de Minas Gerais apresentou um dos maiores déficits: uma disparidade anual calculada na ordem de R 18.128,18 entre homens e mulheres.
Já no cargo de desembargadores, Rondônia liderou os registros com maior discrepância remuneratória em nível estadual; a diferença apontada foi superior à marca de R 56.863,92 por ano.
Alto volume financeiro direcionado aos magistrados masculinos
Além da disparidade nos cargos específicos, o período analisado também evidenciou um alto fluxo de pagamentos elevados destinados exclusivamente ou majoritariamente aos homens na carreira judicial.
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O levantamento identificou mais de 14 pagamentos) em um único mês com valores superiores a R 1 milhão; todos esses registros foram feitos em favor dos profissionais do sexo masculino.
Outros patamares financeiros altos – como os pagos entre R500 mil e R 1,7 milhões–, também apareceram nos dois anos estudados totalizando o registro dessas cifras por incríveis 83 vezes**. Nesse volume específico, impressionante é que quase três quartos (82%) desses pagamentos ocorreram para homens.