18.000 retratos em 20 anos: Joel Sartore viaja para fotografar a vida animal

Expedições ao Quênia, à Bolívia e ao Sri Lanka ampliarão o acervo da Arca Fotográfica, que pode ter Cole Sartore como sucessor.

Um peixe-mão-vermelho, espécie criticamente ameaçada de extinção, fotografado no Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos da Tasmânia, Austrália. Joel Sartore visitou um centro de reprodução em cativeiro onde havia mais peixes-mão-vermelhos do que os que restavam na natureza. Veja mais detalhes sobre a espécie ameaçada que Sartore documentou no National Geographic Photo Ark

Joel Sartore mantém uma rotina de viagens, fotografias e encontros com animais para ampliar o alcance da Arca Fotográfica. Entre os próximos compromissos estão uma expedição de anilhamento de aves migratórias no Quênia, no final do ano, uma viagem para a Bolívia e outra para o Sri Lanka.

O trabalho também continua perto de casa. Neste verão, Sartore fotografa praticamente todas as noites uma nova espécie de mariposa em sua cabana. Em cada imagem, animais grandes ou pequenos, comuns ou raros, recebem o mesmo espaço diante de um fundo branco ou preto.

Expedições ampliam o registro de espécies

Recentemente, uma senhora do Tennessee escreveu para Sartore para contar que cuidava de um frango – dágua – pintado. A ave de pântano, de porte médio a grande, provavelmente havia se desviado da rota migratória desde o México. “Provavelmente irei fotografá – lo”, disse ele.

A equipe costuma viajar com algumas espécies principais em mente, mas aproveita as expedições para registrar também animais menos conhecidos ou mais comuns. A missão da Arca começou com espécies mantidas sob cuidados humanos e depois avançou para o trabalho de campo.

O projeto passou a acompanhar “bioblitzes”, encontros em que profissionais e amadores se reúnem para identificar espécies em uma determinada área, além de eventos de anilhamento em massa de aves. No Quênia, Sartore calcula que poderá fotografar 100 espécies em 10 dias.

Já a viagem para a Bolívia está próxima, enquanto outra será feita no Sri Lanka.

Projeto deve seguir com Cole Sartore

Enquanto percorre diferentes países, Sartore também acompanha animais que exigem anos de espera. Ele aguardou quatro anos para que um filhote de alce no Zoológico de Minnesota, em Minneapolis, chegasse à maturidade. O animal estará pronto neste outono, e os preparativos para a sessão já foram feitos.

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O filho de Sartore, Cole, de 32 anos, participa com frequência das viagens internacionais e é apontado pelo pai como possível sucessor do projeto. “Ele é um bom fotógrafo, paciente, gentil e tranquilo com animais”, afirmou Joel. Cole, segundo ele, ajuda a acalmar sua ansiedade durante o trabalho. “Ele tem um efeito calmante muito bom, porque eu costumo ficar agitado”, acrescentou.

O filho também gosta de fazer uma pausa para o almoço — algo que o pai não valoriza tanto. “Ele é uma pessoa muito melhor do que eu.”

Para Sartore, a continuidade da Arca Fotográfica representa uma “grande campanha de educação pública em prol da natureza”. O objetivo, explicou, é direto: registrar em fotos e vídeos animais de todos os tamanhos e formatos, raros ou comuns, em diferentes partes do mundo. “Mas as consequências de salvar esses animais são enormes para a humanidade”, disse.

Memórias de animais ameaçados

O público conhece os retratos produzidos pela Arca, mas Sartore conserva as lembranças de cada encontro. A memória mais marcante envolve Nabire, que era, na época, uma das apenas três rinocerontes brancas do norte restantes na Terra. Idosa e doente, ela morreu pouco depois, em 2015.

Existe esperança de que embriões congelados e barriga de aluguel possam evitar o desaparecimento da espécie.

Durante a sessão, Nabire se deitou para dormir depois que as fotos foram feitas. Sartore interrompeu o trabalho e colocou a mão nas costas do animal. “Consegui sentir a mão subindo e descendo conforme ela respirava”, recordou. Para ele, tocar um animal com possibilidade de entrar em extinção foi uma experiência difícil de esquecer.

Vinte anos depois do início do projeto, Sartore mira o registro de 25.000 espécies. A caminhada deve incluir animais tão marcantes quanto Nabire e Toughie, mas também espécies menos conhecidas, como os pardais – gafanhoto. “Para nós, só resta tentar.

O resto não nos diz respeito”, disse, citando TS. Eliot.

O fotógrafo afirma que precisa continuar avançando, de uma espécie para outra. “No fim das contas, tenho que fazer o trabalho e seguir em frente. Para o próximo, e o próximo, e o próximo.” A expectativa é que parte desses animais seja beneficiada pelo esforço. “Ajudaremos a salvá – los.”