Uma nova oportunidade está disponível para moradores da Zona da Mata de Pernambuco que desejam desenvolver projetos culturais. A “Oficina Escrita de Si” está com inscrições abertas, buscando enfrentar um desafio histórico da região: a baixa aprovação de projetos culturais em editais públicos.
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A formação, com 15 vagas, é destinada aos 19 municípios da Mata Norte e visa fortalecer a capacidade dos criadores de cultura na elaboração de propostas.
A iniciativa surge em um contexto de desigualdade no acesso a recursos culturais, evidenciado por dados do Funcultura Geral entre 2019 e 2022. Projetos da Zona da Mata representaram apenas entre 6,7% e 11% das aprovações, mesmo com o aumento das candidaturas.
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Em 2022/2023, apenas 39 dos 237 projetos aprovados eram originários da região, refletindo uma dinâmica de investimento que impacta diretamente a cultura local.
Desafios na Elaboração de Projetos
A baixa presença da Zona da Mata nos mecanismos de fomento limita a preservação cultural e enfraquece coletivos que mantêm vivas tradições como o maracatu rural, o coco, o cavalo-marinho e outras expressões culturais. Muitos fazedores de cultura enfrentam insegurança com a escrita, temendo não dominar a linguagem formal ou traduzir suas experiências em projetos.
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Essa oficina busca oferecer soluções práticas para superar esses obstáculos.
A Oficina Escrita de Si
A “Oficina Escrita de Si” oferece ferramentas acessíveis para a elaboração de projetos culturais consistentes, acompanhando os participantes desde a concepção da ideia até a estruturação técnica. A proposta valoriza a oralidade, integrando-a à escrita, e visa ampliar o acesso às políticas públicas de cultura.
A formação terá carga horária de 40 horas, distribuídas ao longo de um mês, sempre aos sábados, nos turnos da manhã e da tarde.
Conteúdo e Formato
As aulas serão presenciais, no Hotel Fazenda Oásis, em Paudalho, e abordarão temas como introdução ao projeto de pesquisa, definição do problema, elaboração de objetivos, revisão de literatura, construção de referencial teórico e definição de metodologia.
O projeto conta com o apoio da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura.
Idealização e Parceria
A oficina é idealizada pelo produtor cultural e pesquisador Lucas Gonçalves da Silva, conhecido como Luccas Bárcellos, em parceria com a antropóloga e multiartista Helena Tenderini. A proposta surgiu a partir de um encontro durante uma formação em audiovisual do Kilombeduka, mediada pelo Cineclube Bamako, realizada no Sítio Malokambo, em Tracunhaém.
A oficina garante materiais impressos, alimentação, transporte para participantes de outros municípios e tradução em Libras durante os encontros.
As vagas são destinadas a pessoas com 18 anos ou mais, com 20% reservadas prioritariamente para pessoas em situação de vulnerabilidade social e 20% para pessoas com deficiência. O projeto busca promover a diversidade territorial e a atuação no campo cultural.
