Críticas à Isenção de Sanções dos EUA sobre Petróleo Russo
A Ucrânia e seus aliados europeus manifestaram descontentamento na sexta-feira (13) em relação à isenção temporária concedida pelos Estados Unidos, que permite a compra de petróleo e derivados russos sancionados retidos no mar. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy alertou que essa medida poderia financiar a máquina de guerra de Moscou.
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Os EUA tomaram essa decisão na tentativa de estabilizar os mercados de energia afetados pela guerra com o Irã, mas isso pode complicar os esforços ocidentais para reduzir as receitas da Rússia na guerra na Ucrânia, em um momento em que as relações transatlânticas já estão tensas.
Após o anúncio da isenção, os mercados abriram em queda, com o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev afirmando que a medida afetaria 100 milhões de barris de petróleo bruto russo, o que equivale a quase um dia de produção global. Durante uma coletiva de imprensa em Paris ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, Zelenskiy destacou que a Rússia utilizaria os recursos financeiros para adquirir armas, incluindo drones. “Acredito que o levantamento das sanções, de qualquer forma, fortalecerá a posição da Rússia”, afirmou.
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Reações de Líderes Europeus
Macron ressaltou que a isenção de 30 dias concedida pelos EUA é limitada e temporária, e não há justificativa para suspender as sanções contra a Rússia. Ele alertou que, se Moscou acredita que a guerra no Irã lhe trará benefícios, está enganada.
O chanceler alemão Friedrich Merz também criticou a medida, afirmando que qualquer alívio nas sanções era um erro e que a Europa foi pega de surpresa. A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, sugeriu que a decisão pode ter sido influenciada por pressões internas nos EUA.
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Merz comentou: “Seis membros do G7 expressaram uma opinião muito clara de que esse não era o sinal certo. Soube-se então, nesta manhã, que o governo americano aparentemente decidiu o contrário”. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, também se manifestou contra a flexibilização das sanções energéticas contra a Rússia.
Posição do Kremlin e Dados do Mercado
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a medida dos EUA visa estabilizar os mercados globais de energia, afirmando que os interesses da Rússia coincidem com essa intenção. Segundo a empresa de análise de dados Vortexa, cerca de 7,3 milhões de barris de petróleo russo estão armazenados em navios, enquanto 148,6 milhões estão em trânsito.
Além disso, até 420.000 toneladas métricas de diesel e gasóleo estão disponíveis para venda no mercado.
A decisão de Washington foi tomada quase duas semanas após o início dos ataques dos EUA e Israel ao Irã, que paralisaram o transporte marítimo no Estreito de Ormuz. A Agência Internacional de Energia informou que a guerra no Oriente Médio está causando a maior interrupção na história do mercado de petróleo.
O serviço de rastreamento de navios Kpler indicou que a isenção dos EUA não deve gerar uma nova demanda significativa, pois a maioria das cargas já foi vendida a compradores asiáticos, especialmente na Índia.
Detalhes da Isenção e Implicações Políticas
A isenção, anunciada na quinta-feira (12), permite a entrega e venda de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios até 12 de março, sendo válida até a meia-noite do dia 11 de abril, horário de Washington. Essa medida reflete as preocupações da Casa Branca sobre o aumento dos preços globais do petróleo, que pode impactar empresas e consumidores dos EUA antes das eleições de meio de mandato em novembro.
A suspensão das sanções ocorreu após uma ligação entre o presidente Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin em 9 de março, seguida pela visita de Dmitriev aos EUA para discutir a crise energética com uma delegação americana que incluía o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner.
O porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que todos os parceiros devem manter a pressão sobre a Rússia e seus recursos financeiros para a guerra.
