Xica da Silva: 30 anos da novela com cenas que não iriam ao ar hoje

Xica da Silva completa 30 anos com cenas de nudez e violência que seriam rejeitadas pelo público atual.

Taís Araújo em “Xica da Silva” (1996)

A novelaXica da Silva“, exibida originalmente pela TV Manchete, completa 30 anos nesta quinta – feira (17). A produção, que marcou a televisão brasileira, carrega cenas que, segundo a CNN Brasil, provocariam revolta no público atual. O folhetim, que lançou Taís Araújo como protagonista, usou estratégias polêmicas para fisgar a audiência.

Uma delas foi o aguardo pela maioridade da atriz. Taís começou a gravar com 17 anos, e a TV Manchete alimentou a expectativa do público para que a personagem aparecesse em cenas mais ousadas. No dia em que completou 18 anos, a primeira cena de nudez da atriz foi ao ar em rede nacional. “Os anos 90 eram um trem desgovernado”, disse Taís Araújo em uma entrevista. “A gente, de alguma maneira, foi perdendo os parâmetros do que era um corpo exposto, a exposição da mulher, tratar uma mulher como objeto.”

Cenas que chocaram e dividiram opiniões

A trama, ambientada no Brasil Colônia (, abordou temas pesados. O personagem Zé Maria, por exemplo, vivia o medo da perseguição da Inquisição sob a acusação de sodomia — crime que poderia levar à morte na época. Em uma cena, ele procura um médico em busca de uma “cura” para seus sentimentos.

O que surpreendeu foi a resposta do médico, que afirmou que a sexualidade do rapaz não era uma doença, mas uma “forma de ser”. A postura, à frente do seu tempo, contrastou com o contexto histórico da novela.

Uma das sequências mais lembradas é a “feijoada macabra”. Após descobrir que Damião, um informante, repassava segredos para a vilã Violante (Drica Moraes), Xica ordena a morte e o esquartejamento do traidor. Como parte da vingança, a carne do homem é picada e cozida para servir de prato principal em um banquete para a elite do Arraial do Tijuco.

Rituais e vinganças que marcaram a trama

Em outro momento, para salvar Zé Maria do tribunal da Inquisição, Xica recorre a uma medida extrema. Ela ordena que o escravizado Paulo, principal testemunha do processo e manipulado por Violante, tenha os lábios costurados. Durante o julgamento, ao retirarem o capuz da testemunha, o público viu a imagem do homem com a boca literalmente fechada por pontos.

Impossibilitado de falar, o depoimento foi invalidado, garantindo a absolvição de Zé Maria.

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O terror psicológico também ganhou espaço com o pacto macabro da personagem Dona Bem – Vinda. À beira da morte, a idosa se recusa a aceitar o fim e realiza um ritual de invocação para tentar trocar de alma com um recém – nascido. Durante a cerimônia, uma cabra preta aparece no quarto no exato momento do último suspiro da mulher.

A sugestão de uma transferência de almas por vias demoníacas chocou o público pela ousadia do tema em uma produção de canal aberto.