Warren Buffett aposta em energia e serviços públicos para lucrar com IA
Warren Buffett colhe lucros da inteligência artificial com investimentos em energia e serviços públicos.
Warren Buffett, aos 96 anos, construiu uma fortuna apostando no que há de mais comum. Depois de seis décadas transformando a Berkshire Hathaway em um gigante dos investimentos, o “Oráculo de Omaha” mantém a estratégia de mirar empresas tradicionais, da economia real, como seguradoras, ferrovias e companhias de serviços públicos.
O princípio é simples: investir apenas em negócios que ele entende.
Apesar de ter aplicações em empresas ligadas à inteligência artificial, como Apple e Alphabet, a Berkshire não embarcou de cabeça na onda das ações de alto desempenho. Mesmo assim, colhe frutos lucrativos da expansão da infraestrutura de IA. E são justamente as apostas mais conservadoras que estão dando certo.
O pulo do gato na energia
Uma das maiores participações da Berkshire continua sendo na Apple, aposta iniciada por Buffett em 2016. Na época, ele via a empresa como um negócio de produtos de consumo duráveis. Dez anos depois, a fatia na gigante da tecnologia representa uma aposta direta em inteligência artificial, um salto em relação aos investimentos anteriores da holding.
Mas é no setor de energia que a fortuna da empresa na área de IA realmente se destaca. Em 2000, a Berkshire Hathaway comprou a Mid American Energy, uma companhia de serviços públicos que fornece eletricidade para Iowa e o Centro – Oeste americano.
Naquele momento, a aquisição não tinha nenhuma relação com inteligência artificial.
Duas décadas depois, com a demanda insaciável por energia gerada pela IA, o negócio se tornou extremamente lucrativo.
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“A Berkshire já estava posicionada para prosperar com base nas necessidades mais fundamentais da IA em energia e serviços públicos”, afirmou Ken Mahoney, presidente e CEO da Mahoney Asset Management. “É muito típico de Buffett ter um posicionamento que não exige saber quem será o principal vencedor.”
Data centers turbinam negócios
A Mid American fornece energia para estados como Iowa, que se transformou em um polo de data centers. Greg Abel, CEO da Berkshire desde 2025, revelou durante a conferência anual da empresa em maio que 8% da carga energética da holding na região veio de data centers no ano passado.
“Quando a aquisição da Mid American aconteceu, não se falava em usar IA como parte dessa estratégia”, disse Cathy Seifert, diretora da CFRA Research. “Então, de certa forma, foi um pouco de sorte e fortuna. Ainda assim, é interessante analisar a Berkshire Hathaway sob a perspectiva da IA.”
A Berkshire também controla a NV Energy, que opera em Nevada, outro estado em franca expansão de data centers. A aposta não intencional de Buffett em IA também apareceu em outros setores. Em 2016, a holding comprou a Precision Castparts, fabricante de componentes para turbinas e geradores elétricos.
O negócio chegou a gerar uma baixa contábil de US 11 bilhões, e Buffett admitiu ter pago “muito caro” pela empresa.
Com o avanço da inteligência artificial, porém, as turbinas a gás voltaram a ser essenciais. A Precision Castparts fabrica as peças complexas exigidas pelo setor. “As turbinas são um dos maiores gargalos para data centers”, disse Adam Patti, CEO da Vista Shares. “Elas estão no ponto ideal. É incrível.”