Walter Salles denuncia financiamento de filme de Bolsonaro e questiona o cinema nacional

Áudio choca! Bolsonaro e Vorcaro envolvidos em financiamento secreto à cultura. Biografia do ex-presidente teria R$ 61 milhões. Críticas da comunidade

(Imagem de reprodução da internet).

Repercussão do Áudio Vazado no Debate Sobre Financiamento à Cultura

A última semana foi marcada por um escândalo que se expandiu para além do âmbito político, envolvendo diretamente o setor cultural brasileiro. A divulgação de um áudio comprometedor entre Daniel Vorcaro, articulador do maior esquema de corrupção no sistema financeiro, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), trouxe à tona um financiamento de R$ 61 milhões destinado à produção de uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O caso gerou forte reação da comunidade artística, que criticou o orçamento elevado do filme, de R$ 134 milhões, em comparação com produções nacionais como “Estou Ainda Aqui”, que teve um investimento de R$ 45 milhões. O diretor do longa, Walter Salles, comentou sobre a situação com o Brasil de Fato, expressando seu choque com a situação.

“Acho muito engraçado, porque, nos últimos 10 ou 12 anos, a direita não só extinguiu o Ministério da Cultura duas vezes, mas investiu uma quantidade enorme de violência contra toda a parte cultural do país: os artistas, os mecanismos de apoio à cultura que fazem parte da Constituição Brasileira”, declarou Salles. “E agora, o que enterra uma campanha que já seria um desastre, mesmo sem essa catástrofe que aconteceu essa semana, é exatamente uma tentativa de fazer um filme para ter o que eles não têm: uma narrativa de prestígio através do cinema.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nós contamos histórias porque são histórias que a gente precisa contar.”

Em um grupo de discussão online, Walter Salles compartilhou seu comentário: “Grande dia para o cinema nacional“, no dia da publicação do áudio pelo The Intercept Brasil. Ele também destacou que o orçamento do filme é consideravelmente alto, ultrapassando os padrões de Hollywood. “Está completamente fora dos padrões de trabalho honesto no audiovisual brasileiro.

Leia também

Os números não fazem parte da realidade da realização de um filme no Brasil”, afirmou.

“Mas é muito irônico, muito engraçado que tudo isso tenha resultado nisso: numa tentativa de fazer cinema sem saber fazer cinema, operando de uma maneira que me parece 100% desonesta”, concluiu Salles.