Operação Compliance Zero: Polícia Federal Revela Intimidações e Espionagem
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4.mar.2026), a terceira fase da Operação Compliance Zero, com foco nas atividades de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação aponta para a existência de um núcleo dentro do banco responsável por intimidar adversários através de violência física e espionagem, conforme revelado por trocas de mensagens entre Vorcaro e seus colaboradores.
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O núcleo, coordenado pelo grupo WhatsApp denominado “A Turma”, tinha a função de planejar e executar atos de intimidação. Em uma das mensagens, Vorcaro ordenava a falsificação de um assalto contra um jornalista, instruindo que “quebrassem todos os dentes”.
A ação visava o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, que havia publicado uma matéria considerada contrária aos interesses de Vorcaro. A PF detalha que o grupo de monitoramento também acompanhava a rotina de jornalistas, coletando informações sigilosas.
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Investigação e Implicações Legais
Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, um dos investigados, confirmou que cumpriria a missão criminosa, conforme registrado em suas mensagens com Vorcaro. A decisão que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, proferida pelo ministro Mendonça, revelou indícios de que o grupo contratado por Vorcaro teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol.
Diante do risco à vida de possíveis vítimas, foram decretadas a prisão preventiva dos envolvidos e o afastamento de cargos públicos, além do sequestro de bens no valor de até R$ 22 bilhões.
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Indícios de Lavagem de Dinheiro
Mendonça ressaltou que as estruturas jurídicas criadas por Vorcaro e seus colaboradores foram “engendradas exclusivamente para viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação do percurso dos recursos ilícitos”. A investigação, iniciada em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, também investiga o envolvimento de gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito, em meio a suspeitas de fabricação e venda de títulos de crédito falsos no Sistema Financeiro Nacional.
Principais Envolvidos
Foram presos preventivamente Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão. Além disso, foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços em São Paulo e Minas Gerais, onde foram apreendidos bens.
Mensagens Chave da Investigação
As mensagens de Vorcaro com Mourão demonstram que o empresário orientava o grupo a “assustar” seus adversários, como um funcionário e um chefe de cozinha, citados como delatores. “O bom é dar uma sacudida no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, disse Vorcaro.
As mensagens revelam também ameaças, ordens de monitoramento, intimidação de pessoas e tentativas de obter informações.
