Violência sexual é a principal violação que afeta meninas, revela pesquisa no Brasil
Pesquisa online reúne avaliações de 824 pessoas de diversas classes sociais e regiões do Brasil.
A violência sexual contra meninas no Brasil
A violência sexual é identificada por 87% dos brasileiros como a principal forma de violação que afeta meninas no país. Além disso, 43% da população a considera a mais comum. Esses dados são provenientes da pesquisa ‘Percepções sobre violência e vulnerabilidade de meninas no Brasil’, realizada pelo Instituto QualiBest.
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A pesquisa foi realizada com 824 pessoas de diversas classes sociais e regiões do Brasil, sendo 433 mulheres e 381 homens. Foram analisadas as violências física, psicológica e online, incluindo casos de cyberbullying, assédio e exposição de imagens na internet.
O levantamento também revelou que 90% dos entrevistados percebem a adultização de meninas como uma forma de violência. Dentre esses, 61% acreditam que a adultização representa uma violência total, enquanto 29% a veem como um problema parcial.
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A especialista em gênero e inclusão da Plan Brasil, Ana Nery Lima, destaca a baixa menção a questões como falta de acesso à educação (36%), casamento infantil (43%), trabalho infantil (46%) e negligência (48%).
“Quando falamos de violência baseada em gênero, a primeira imagem que vem à mente é a agressão física. Contudo, existem diversas outras formas de violência que podem levar à violência física e ao feminicídio”, afirma Lima, ressaltando a importância do reconhecimento das vítimas sobre o tipo de violência que sofreram para que possam denunciar adequadamente.
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Seis em cada dez pessoas acreditam que, atualmente, as meninas estão “muito mais vulneráveis” do que há dez anos. Essa percepção é mais forte entre pais e mães, com 69% desse grupo reforçando essa visão.
Ambiente digital e vulnerabilidade
Entre os mais de 800 respondentes, 92% concordam que a internet e as redes sociais aumentam a vulnerabilidade das meninas. Aproximadamente 51% dos participantes afirmaram que seus filhos menores de 18 anos têm perfis nas redes sociais, sendo Instagram, WhatsApp, TikTok e YouTube os mais utilizados.
Dos 359 entrevistados, 74% disseram publicar fotos de seus filhos menores de 18 anos nas redes sociais. Mais de um quarto (27%) compartilha essas imagens com frequência em perfis fechados, enquanto 33% publicam “raramente e de forma controlada”. Apenas 6% fazem isso em perfis abertos, tomando precauções como restringir comentários.
Um total de 8% publica fotos sem restrições. Além disso, 92% dos participantes apoiam a responsabilização de adultos que se beneficiam financeiramente da exposição de meninas na internet ou que as colocam em risco online.
Ameaças dentro de casa
A pesquisa revelou que 83% da população considera a internet o ambiente mais perigoso para meninas, em comparação a 33% que apontam suas próprias casas como locais de risco. Essa percepção é semelhante entre as mulheres entrevistadas, com 37% indicando a casa como um ambiente perigoso.
Os pesquisadores observam que essa visão pode ser discutível, já que a maioria das violências de gênero, tanto contra meninas quanto contra mulheres adultas, ocorre em casa e é perpetrada por pessoas conhecidas, incluindo familiares e parceiros.
A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, explica que a percepção de segurança em casa é influenciada por fatores culturais, que fazem com que muitos considerem os lares menos ameaçadores do que as ruas e o transporte público.
“Ainda temos uma ideia de risco associada a estranhos, mas muitas vezes a violência vem de pessoas próximas, como colegas ou até mesmo adolescentes”, complementa Ana Nery Lima.
Deep fake e educação
Um dos métodos de violação dos direitos das meninas que tem se espalhado na internet é o deepfake, que combina o rosto de uma garota com o corpo de outra em contextos sexuais, sem o consentimento de ambas. Essas imagens podem ser criadas sem a utilização de imagens reais de crianças ou adolescentes.
Na última segunda-feira (6), a SaferNet Brasil divulgou um relatório sobre deepfakes sexuais, identificando 16 casos em escolas de dez estados após analisar centenas de notícias de 2023 até agora. Foram registradas 72 vítimas e 57 agressores, todos com menos de 18 anos.
Os estados com mais ocorrências incluem Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, com a maioria dos crimes ocorrendo em instituições de ensino particulares.
Embora o número de casos identificados seja menor em comparação a imagens de abuso sexual sem o uso de IA, a SaferNet ressalta a falta de monitoramento por parte das autoridades sobre esses crimes, dificultando a compreensão da real dimensão do problema.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.












