Violência contra a mulher é considerada a criminalidade mais grave no Brasil, revela pesquisa do
A violência contra a mulher é agora vista como a criminalidade mais grave no Brasil, revela pesquisa do Datafolha. Descubra os dados alarmantes!
A violência contra a mulher é a forma mais grave de criminalidade no Brasil
De acordo com uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360 e divulgada nesta segunda-feira (1), a violência contra a mulher é, pela primeira vez, considerada a forma mais grave de criminalidade no Brasil pela maioria da população.
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O estudo ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em capitais e regiões metropolitanas de todo o país, entre 6 e 11 de abril de 2026.
Os dados revelam que 61% dos entrevistados apontam a violência contra a mulher como a criminalidade mais séria, um índice que supera em muito o segundo colocado, o tráfico de drogas, que obteve 16%. A percepção é ainda mais acentuada entre as mulheres, com 73% delas citando a violência de gênero como o problema mais grave, em comparação a 49% dos homens.
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Entre as mulheres na faixa etária de 16 a 24 anos, esse percentual chega a 77%.
Aumento da percepção sobre a violência
A maioria dos entrevistados, 89%, acredita que a violência contra a mulher aumentou. Entre as mulheres, esse índice sobe para 94%, enquanto entre os homens é de 83%. Além disso, 71% dos participantes consideram que as mulheres estão em maior risco dentro de casa do que fora dela.
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou, no início de maio de 2026, um aumento nos casos de violência em comparação ao mesmo período de 2025.
Normalização da violência psicológica
Embora haja um reconhecimento amplo da violência física, a pesquisa indica que agressões psicológicas e situações de controle ainda são frequentemente normalizadas. Apenas 55% dos entrevistados consideram que impedir a esposa de sair sozinha para uma comemoração é uma forma de violência.
O entendimento é semelhante quando se trata de controlar as amizades da parceira, com 58% classificando esse comportamento como violento.
A violência patrimonial também não é amplamente reconhecida: apenas 58% veem como violência um marido que controla o salário da esposa. Em contrapartida, agressões físicas, como humilhar a companheira em público, são reconhecidas como violência por 94% dos entrevistados, e forçar a esposa a ter relações sexuais é considerado violento por 95% deles.
Relatos das vítimas
Em um módulo de autopreenchimento respondido por 875 mulheres, a pesquisa revelou que três em cada quatro (74%) já vivenciaram alguma situação de violência. A forma mais comum relatada foi xingamentos ou insultos (59%), seguida por ameaças de agressão física (45%) e situações de perseguição ou intimidação (43%).
A violência sexual também foi mencionada de forma significativa, com 38% das mulheres afirmando ter sido tocadas ou agarradas sem consentimento.
Uma em cada quatro mulheres relatou ter sido espancada ou ter sofrido tentativa de enforcamento, e 22% foram ameaçadas com armas ou facas. Cada vítima havia enfrentado, em média, três situações de violência ao longo da vida.
Silêncio e desconfiança nas instituições
Em relação à agressão mais grave sofrida nos últimos 12 meses, 37% das mulheres afirmaram não ter tomado nenhuma atitude. A baixa confiança nas instituições contribui para esse silêncio: apenas 19% das mulheres dizem confiar muito na polícia para protegê-las, enquanto entre os homens esse índice é de 31%.
Embora 55% dos homens considerem as leis de proteção às mulheres adequadas, o mesmo percentual de mulheres as considera insuficientes.
A Lei Maria da Penha é conhecida por 97% dos entrevistados, mas apenas 57% sabem o número de telefone para denunciar violência contra a mulher.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem entrar em contato com o Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, que está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo finais de semana e feriados. O serviço é gratuito, sigiloso e também atende chamadas do exterior.
Para emergências, o número é 190 (Polícia Militar). Casos podem ser registrados presencialmente nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) ou, em alguns estados, por meio de boletim de ocorrência eletrônico. O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece atendimento pelo número 188 para situações de crise emocional.
Culpabilização da vítima
A pesquisa também revelou que a culpabilização das vítimas ainda é uma questão disseminada: 61% dos entrevistados concordam que muitos casos de violência são resultado de escolhas erradas das mulheres ao escolher um parceiro. Esse índice varia conforme o nível de escolaridade, caindo de 73% entre os entrevistados com ensino fundamental para 48% entre aqueles com ensino superior.
A pesquisa foi realizada entre 6 e 11 de abril de 2026, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para o total da amostra, considerando um nível de confiança de 95%.