Estudo revela que fertilizantes nitrogenados de baixo carbono no Brasil estão próximos da viabilidade econômica, podendo transformar o setor agrícola
A produção de fertilizantes nitrogenados de baixo carbono no Brasil está se aproximando de uma viabilidade econômica. Um estudo recente revela que o custo da amônia gerada a partir de matérias-primas renováveis já se equipara ao do insumo fóssil.
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A pesquisa foi realizada pelo Instituto E+ Transição Energética em colaboração com o Rocky Mountain Institute (RMI), uma organização não governamental dos Estados Unidos.
De acordo com o estudo intitulado “Decarbonizing the Ammonia Fertilizer Supply Chain in Brazil”, o custo da amônia renovável, híbrida e fóssil varia entre US$ 600 e US$ 1 mil por tonelada, dependendo da região. A amônia é essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, representando de 60% a 90% do custo final desses produtos e servindo como referência para a formação de preços no mercado.
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A convergência dos custos entre a amônia renovável e a fóssil sugere um potencial para mudanças estruturais no setor. Segundo Pedro Guedes, especialista em Combustíveis Renováveis e Fertilizantes do Instituto E+, 97% dos fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura brasileira são importados.
A importação de fornecedores de regiões geopoliticamente sensíveis, como o Leste Europeu, onde ocorre o conflito entre Rússia e Ucrânia, eleva os custos do produto.
A produção de fertilizantes nitrogenados depende fortemente do gás natural, que é a matéria-prima para a fabricação de compostos como amônia e ureia. Guedes destaca que o custo do gás natural afeta diretamente a competitividade, resultando em um número reduzido de fábricas de fertilizantes nitrogenados no Brasil.
O Brasil possui condições climáticas e de mercado favoráveis ao desenvolvimento da indústria de fertilizantes de baixo carbono, o que pode reduzir riscos e aumentar a competitividade, além de alinhar-se às metas climáticas. Dados do Comex Stat mostram que o Brasil importou US$ 169,7 milhões em fertilizantes em 2025, totalizando 1,4 milhão de toneladas, um aumento de 6,8% em relação a 2024.
Por outro lado, a importação de gás natural alcançou US$ 2,7 bilhões, com 5,9 milhões de toneladas no ano passado, representando uma queda de 18,2% em relação a 2024. A produção de fertilizantes nitrogenados no Brasil está concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com potencial para produzir 3,8 milhões de toneladas de nitrogênio anualmente, sendo 1,2 milhão de toneladas provenientes de fontes de baixo carbono.
Esse estudo complementa as perspectivas de avanço do Plano Nacional de Fertilizantes, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), que visa reduzir as importações e aumentar a produção nacional até 2050.
Contudo, a análise não compara os custos dos fertilizantes nacionais com os insumos importados, que apresentam custos agregados e alta volatilidade.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.