Vereadora e comunidade resistem a demolição do Viaduto 31 de Março no Rio

Vereadora e comunidade se unem contra demolição do Viaduto 31 de Março no Rio

10/06/2026 19:49

4 min

Vereadora e comunidade resistem a demolição do Viaduto 31 de Março no Rio
(Imagem de reprodução da internet).

A Voz da Praça Onze: Uma Luta pela Memória e pelo Futuro

A vida em um bairro, construída ao longo de anos, é tecida com fios de relações, memórias e laços afetivos. A Praça Onze, no Rio de Janeiro, é um exemplo emblemático dessa realidade, onde a comunidade se fortalece na proximidade do trabalho, da escola dos filhos e da família.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No entanto, essa tranquilidade foi ameaçada por uma lógica especulativa que transforma a cidade em um mero produto, gerando incertezas e inseguranças entre seus moradores. A proposta do Projeto de Lei Complementar 92/2025, que visa a requalificação da área, suscita preocupações profundas, especialmente diante da possível demolição do Viaduto 31 de Março.

Emendas e a Defesa do Direito à Permanência

Diante desse cenário, a vereadora, ativista do MST, e outros membros da comunidade se mobilizaram para defender seus direitos. Com mais de 150 emendas apresentadas, o objetivo é garantir que o projeto seja inclusivo e transparente, priorizando a moradia popular e o direito de permanência dos moradores atuais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As emendas buscam recursos para a reforma da Vila Operária Salvador de Sá, a qualificação profissional e a contratação de trabalhadores locais, além de proteger as hortas comunitárias urbanas e garantir o uso de imóveis públicos para habitação de interesse social.

A obrigatoriedade de realizar diagnósticos socioeconômicos e estudos de impacto viário também é um ponto crucial na defesa da comunidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Testemunhas da Preocupação

Durante uma visita ao local, a vereadora e outros membros da comunidade testemunharam a preocupação dos moradores e comerciantes da região, que abrange áreas como Catumbi, Estácio, São Carlos, Gamboa e Cidade Nova. A ameaça de deslocamento forçado, impulsionada pela especulação imobiliária e pelo aumento abusivo dos aluguéis, é vista como uma forma de “expulsão branda e branca”, onde a violência se manifesta de maneira sutil, dificultando a reação da sociedade civil organizada.

A situação é crítica, com relatos de pessoas que enfrentam dificuldades para manter suas casas devido ao alto custo de vida.

O Debate Sobre o Direito à Cidade

O debate sobre o direito à cidade e a moradia digna se entrelaça com a questão da segurança alimentar. A impossibilidade de ter um teto sobre a cabeça sem poder se alimentar é um problema que exige a atenção do parlamento, do Estado e da sociedade como um todo.

Leia também

O mandato da vereadora se dedica a evitar que essa violência aconteça, buscando garantir que a comunidade da Praça Onze possa continuar vivendo em suas casas, preservando sua história, memória e cultura.

Revitalização: Uma Proposta que Respeita a Realidade Local

O Projeto de Lei Complementar 92/2025 prevê a construção de 40 mil unidades residenciais, mas o critério de investimento não pode ser a lógica do mercado, mas sim a necessidade social e local. A prefeitura deve destinar o quanto for necessário para garantir a qualidade de vida dos moradores da Praça Onze, valorizando espaços como a Vila Operária, o Morro do São Carlos, a Quadra da Estácio de Sá, o Circo Crescer e Viver, o Galpão Praça Onze e outros agentes culturais que compõem o patrimônio da comunidade.

A “revitalização” da Praça Onze não pode ser entendida como um vazio a ser preenchido por novos empreendimentos. A Praça Onze é um território negro, operário e periférico, onde crianças brincam nas ruas, o comércio é ativo e a cultura popular pulsa. É o berço do samba e da resistência, um lugar que merece ser valorizado e protegido, e não transformado em um mero espaço para especulação.

Conhecer o território e ouvir as demandas dos moradores é o primeiro passo para construir uma política pública justa e que faça a diferença na vida da população. O que eles querem é acesso à saúde, educação, saneamento, oportunidades de trabalho e espaços de lazer, políticas públicas que estejam a serviço do povo.

Ignorar essa perspectiva significa promover o apagamento da história da cidade.

Não existe revitalização justa sem a melhoria das condições de vida dos moradores. Não existe direito à cidade sem garantia de permanência. A voz da Praça Onze precisa ser ouvida e respeitada, para que a cidade possa se tornar um lugar mais justo e igualitário para todos.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!