Valéria Pássaro lidera cartilha com receitas afro-brasileiras

A cultura alimentar afro – brasileira e periférica ganha voz em um novo documento: o Cartilha Tempero de Oyá.
Mais do que apenas registrar atividades desenvolvidas, este material funciona como uma memória viva — resistência e valorização dos saberes culinários locais. O projeto reúne reflexões profundas sobre ancestralidade, território e identidade cultural.
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Além disso, a cartilha traz receitas ricas com histórias por trás das preparações, incluindo Moqueca de Banana da Terra, Baião de Dois e Escondidinho de Mandioca com Carne – Seca.. Para construir esse acervo colaborativo, foram realizadas diversas rodas de conversa gratuitas no formato da cozinheira comunal, contando ainda com tradução para LIBRAS.
O encontro transformou o ambiente culinário — que é um pilar social —, num verdadeiro local de formação, escuta ativa e fortalecimento dos laços entre os participantes.
As discussões começaram oficialmente em fevereiro do ano corrente (2026), sob a temática “Nutrição e Saúde”. A educadora social Valéria Pássaro conduziu essa primeira roda, propondo reflexões sobre como se enxerga alimentação não só como direito fundamental, mas também expressão cultural profunda.
Os presentes compartilharam vivências pessoais detalhando hábitos alimentares cotidianos e desafios enfrentados nos seus respectivos territórios.
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Debate: dasoberania alimentar ao racismo. Soberania Alimentar. Em março de 2026, o foco mudou para questões ambientais com Bruna Macedo na rodada intitulada “Soberania Alimentar: Plantar e Colher”. O debate aprofundou se em temas cruciais como autonomia dos alimentos, hortas comunitárias sustentáveis e acesso à terra no campo social.
Foi destacada ainda que cultivar é uma ferramenta poderosa capaz de promover transformação dentro das comunidades locais.
Mais tarde, já em abril do mesmo ano (2026), Dani Souza abordou um tema delicado ao conduzir as discussões sobre “Racismo Alimentar“. A chef também fez reflexão importante acerca da forma pela qual o racismo estrutural atravessa todo sistema alimentar brasileiro hoje.
Ela apontou os impactos dessa desigualdade na capacidade de acessar alimentação saudável para a população negra brasileira.
Representatividade cultural. A conversa aberta por Dani Souza não se limitou aos problemas sociais; ela deu espaço vital à discussão sobre identidade e pertencimento comunitário. Foi enfatizada ainda que é urgente fortalecer, dentro da gastronomia nacional, a representação dos saberes culinários afro – brasileiros em geral.
Alimentação como ferramenta social. Ao longo do projeto inteiro, ficou evidente um ponto central: o ato alimentar ultrapassa qualquer dimensão puramente nutricional ou biológica na prática diária das comunidades envolvidas. A comida acaba sendo uma poderosa aliada para construir vínculos fortes entre as pessoas, preservar memórias históricas coletivas e promover grande fortalecimento nas bases sociais de cada comunidade participante.
Esse conjunto vasto de experiências acumuladas foi justamente o que deu origem à cartilha publicada hoje (2026). O material é visto por seus idealizadores não apenas como registro acadêmico dos saberes compartilhados pelos participantes; ele funciona mais ainda como convite aberto a pensar sobre os alimentos sob um prisma ético: aquele da transformação social e do cuidado mútuo com pertencimento cultural em primeiro lugar.
Origem histórica na periferia A Cartilha Tempero de Oyá recebeu apoio institucional importante, sendo realizada graças ao Programa VAI, ligado à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. A Coletiva responsável pelo projeto tem raízes profundas no bairro Perus desde 20Ela nasceu para homenagear tanto uma horta específica quanto o legado ancestral associado a Iansã, unindo culinária, memória afetiva e formação comunitária por meio dessas ações sociais contínuas.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
