Unitree, fabricante de robôs humanoides, vê ações dispararem 460% em estreia na Bolsa de Xangai
A estreia da Unitree na Bolsa de Xangai sinaliza um novo impulso para a indústria de robótica na China, destacando seu papel na competição tecnológica global.
No dia 19 de julho de 2026, as ações da Unitree, fabricante chinesa de robôs humanoides, dispararam 460% em seu primeiro dia na Bolsa de Xangai. Este momento marcou um avanço significativo para o setor de robótica na China, que se destaca na disputa tecnológica entre o país e os Estados Unidos.
A Unitree, que compete com empresas como Tesla e Boston Dynamics — esta última pertencente ao Hyundai Motor Group — é conhecida por seus robôs capazes de correr, dançar e até praticar artes marciais.
A empresa se tornou uma das maiores produtoras mundiais de robôs e simboliza o orgulho da indústria chinesa, recebendo apoio tanto do setor privado quanto do governo. Ao contrário de muitas concorrentes, a Unitree é lucrativa, mesmo com a maioria dos seus robôs não utilizados em aplicações comerciais.
Yan Kai, investidor da Ivy Capital em Xangai, comentou: “É uma empresa de primeira linha, e sua singularidade justifica preços mais altos.”
Impacto da listagem no mercado
A estreia da Unitree no STAR Market avaliou suas ações a 845 iuanes. Embora tenham iniciado o dia a 1.100 iuanes, o fechamento representou uma alta significativa sobre o preço de IPO de 150,8 iuanes. Esse aumento supera a média de 279% registrada por novas listagens na China até agora em 2026.
O desempenho das ações da Unitree também contrasta com a queda de 3% do índice de referência chinês na mesma data.
A listação coincidiu com a abertura da Conferência Mundial de Robótica em Pequim, onde diversas empresas lançaram novos produtos e demonstraram inovações que o governo espera serem fundamentais para enfrentar a escassez de mão de obra causada pela crise demográfica do país.
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William Xin, presidente da Spring Mountain Pu Jiang Investment Management, afirmou que o sucesso inicial da Unitree pode aumentar sua vantagem competitiva em um setor onde muitos competidores enfrentam dificuldades financeiras.
Desafios e oportunidades para a Unitree
Embora os investidores tenham demonstrado confiança nas ações da Unitree, alguns especialistas alertam que as vendas atuais são limitadas. A maioria dos robôs vendidos pela empresa está destinada a instituições acadêmicas e centros de pesquisa.
Em julho deste ano, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA proibiu a importação futura dos modelos da Unitree devido a preocupações com segurança nacional.
Essa restrição representa um grande desafio para a empresa, que já se tornou um exemplo notável do crescimento chinês em setores estratégicos. A Unitree desenvolveu seus cães – robôs baseando – se em inovações originadas por pesquisas financiadas pelas Forças Armadas dos EUA.
Segundo fontes internas, essa utilização foi feita dentro das normas estabelecidas pela divulgação pública dessas pesquisas.
Futuro promissor e expansão no setor
A Unitree não respondeu aos pedidos da imprensa sobre esses temas delicados. Em junho passado, o Pentágono incluiu a empresa em uma lista que reconhece companhias militares chinesas. Essa designação limita o uso futuro das tecnologias da Unitree pelas forças armadas americanas; no entanto, a empresa afirma que seus produtos são destinados exclusivamente ao uso civil.
A oferta pública inicial arrecadou cerca de US900 milhões e garantiu ao fundador Wang Xingxing uma fortuna estimada em mais de US 11 bilhões apenas no papel. Com apoio financeiro significativo de gigantes como Tencent e Alibaba, Wang ainda ocupou um lugar destacado em eventos com líderes tecnológicos organizados pelo presidente Xi Jinping.
Outras fabricantes chinesas como Deep Robotics e Leju Robotics também estão buscando abrir seu capital nas bolsas do país. Enquanto isso, Mech – Mind Robotics e X Square Robot optaram por listagens em Hong Kong. Esse movimento surge em meio ao aquecimento do mercado acionário chinês este ano.