Novo desvendado na morte de Vladimir Herzog! Pesquisadores da Unifesp encontram local exato da simulação. Revelação chocante no Fantástico!
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conseguiu identificar o local exato onde o jornalista Vladimir Herzog foi vítima de uma simulação de suicídio durante a ditadura militar. A revelação, divulgada pelo programa Fantástico da TV Globo, reacende o debate sobre a verdade por trás da morte do profissional, ocorrida em 25 de outubro de 1975, no Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na Vila Mariana, em São Paulo.
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A equipe da Unifesp utilizou uma análise estrutural comparando vestígios físicos atuais com registros fotográficos da época. Essa metodologia revelou correspondências entre as marcas nas paredes e a estrutura da janela que aparece na famosa fotografia, utilizada pelo regime militar para sustentar a versão de suicídio por quase cinco décadas.
O trabalho de campo, que se estendeu por anos, enfrentou desafios devido às reformas realizadas no edifício a partir da década de 1980, quando o imóvel passou a ser utilizado pelo Instituto de Criminalística.
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Deborah Neves, coordenadora do grupo de trabalho do Memorial DOI-Codi, detalhou que “alguns elementos já indicam isso, como esses balcões revestidos com azulejo e o piso vinílico, a cobertura com esse piso vinílico são alterações produzidas provavelmente a partir do ano de 1985”.
A equipe utilizou métodos de percussão para identificar vãos e alterações na alvenaria, descobrindo uma área isolada por reformas posteriores. A descoberta de marcas de contagem de dias sob camadas de reboco, feitas por ex-detentos, também foi crucial para a investigação.
Além da análise estrutural, os pesquisadores encontraram vestígios da porta original e da caixa de ferrolho, que coincidem com os padrões de construção das salas de interrogatório da década de 1970. A janela com blocos de vidro e a grade metálica, elementos centrais da montagem fotográfica, também serviram como pontos de referência.
O piso de madeira original, visível na foto da simulação, permanece preservado sob o revestimento vinílico instalado anos depois.
A identificação técnica da sala reforça as evidências de que a cena do enforcamento foi montada após o óbito de Herzog, ocorrido em decorrência de agressões físicas durante o interrogatório. A repercussão da descoberta mobilizou o Instituto Vladimir Herzog e familiares do jornalista, que defendem a preservação integral do local.
O edifício da Rua Tutóia ainda funciona como uma delegacia de polícia, embora partes da estrutura tenham sido tombadas por órgãos de patrimônio histórico em 2014. Atualmente, ativistas lutam para que o local se torne um Memorial.
A investigação também coletou depoimentos de outros profissionais que estiveram presos no DOI-Codi no mesmo período, descrevendo a disposição interna do prédio e a rotina de movimentação de presos. A convergência entre os depoimentos e os achados físicos permitiu que a equipe estabelecesse o trajeto percorrido pelo jornalista desde sua entrada no edifício até o local onde seu corpo foi fotografado. “Claramente não é uma cena de suicídio, e sim uma cena que foi forjada para ocultar uma morte que aconteceu em decorrência das torturas”, afirmou Deborah Neves. “Considerando as informações documentais e cruzando com essas análises físicas, eu considero suficiente a comprovação da hipótese de que a encenação foi feita nessa sala”, afirmou o arquiteto responsável pelo estudo.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.