Estudo da Unicamp revela os perigos do efeito sanfona na saúde metabólica feminina, destacando a relação com a gordura marrom e seus impactos. Confira!
Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) destaca os impactos do efeito sanfona na saúde metabólica das mulheres. O estudo revela que aquelas que passaram por ciclos repetidos de perda intencional e reganho não planejado de peso apresentam um perfil cardiometabólico prejudicado e menor atividade da gordura marrom, que é essencial para o gasto energético.
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O trabalho, financiado pela Fapesp e publicado na Nutrition Research, foi conduzido no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes do Gastrocentro-Unicamp, sob a orientação de Ana Carolina Junqueira Vasques e coorientação de Bruno Geloneze.
A pesquisa também contou com a colaboração de Laura Ramos Gonçalves Gomes e Isabela Solar.
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Segundo Vasques, o objetivo principal foi analisar a atividade do tecido adiposo marrom (BAT), que tem ganhado atenção na ciência devido ao seu papel no manejo da obesidade, diabetes e dislipidemias. Diferente do tecido adiposo branco, que armazena energia, o BAT queima glicose e lipídios para gerar calor, contribuindo para o gasto energético do corpo.
Esse tecido é rico em mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia, o que lhe confere uma coloração acastanhada e alta atividade metabólica. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a gordura marrom existia apenas em recém-nascidos, mas estudos de 2009 mostraram que adultos também possuem BAT, especialmente na região supraclavicular.
No estudo da Unicamp, 121 mulheres entre 20 e 41 anos, com diferentes índices de massa corporal, foram analisadas. Elas foram divididas em dois grupos: um sem histórico de efeito sanfona e outro, denominado “cicladoras”, que relataram três ou mais episódios de perda de peso seguidos de recuperação não planejada de pelo menos 4,5 kg nos últimos quatro anos.
A escolha de focar apenas em mulheres se deu devido a diferenças significativas entre os gêneros na quantidade e atividade da gordura marrom. Vasques explica que o estudo priorizou mulheres jovens, fora do período da menopausa, para evitar interferências hormonais na distribuição de gordura corporal.
Para medir a atividade da gordura marrom, as participantes passaram por um protocolo de exposição ao frio (18 °C), que é um estímulo importante para ativação do BAT. Inicialmente, elas foram colocadas em um ambiente aquecido e, em seguida, transferidas para um local resfriado, onde a temperatura foi mantida para evitar tremores.
A atividade do BAT foi monitorada com uma câmera de termografia infravermelha, que captou o aumento de temperatura na região supraclavicular, indicando maior atividade do BAT. Além disso, foram analisados indicadores como percentual de gordura corporal, gordura visceral, glicemia, perfil lipídico e pressão arterial.
Os resultados iniciais mostraram que as cicladoras apresentavam maior percentual de gordura corporal, acúmulo de gordura visceral e piores indicadores metabólicos, além de menor atividade da gordura marrom. A análise estatística revelou que a relação entre o efeito sanfona e a redução do BAT não era direta, mas mediada pelo acúmulo de gordura.
O efeito sanfona parece atuar indiretamente, levando a uma piora progressiva da composição corporal, com recuperação de gordura em vez de massa muscular. Isso resulta em um aumento do percentual de gordura corporal e da gordura visceral, fatores que estão ligados à diminuição da atividade do BAT.
Embora a atividade do BAT não possa ser medida em exames de rotina, Vasques enfatiza que o manejo da obesidade deve ir além da perda de peso. É crucial focar na qualidade da composição corporal, na redução sustentável do percentual de gordura e na preservação da massa muscular.
Ela ressalta que, embora a gordura marrom possa ser estimulada por atividade física e exposição ao frio, não deve ser vista como uma solução isolada para emagrecimento. Seu papel mais importante está na melhora do metabolismo da glicose e lipídios, contribuindo para a proteção contra diabetes e doenças cardiovasculares.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.