UMM e universidade estudam ondas de calor em Estrela de Davi
UMM e universidade estudam ondas de calor em Estrela de Davi com foco no monitoramento técnico da saúde na periferia.
A iniciativa envolve uma parceria entre a União dos Movimentos de Moradia (UMM) e um grupo universitário do Michigan que visa estudar os efeitos extremos do calor localmente, segundo informações colhidas por Benedito Roberto Barbosa, advogado e coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP.. Parceria histórica foca comunidade Estrela de Davi.
Barbosa explicou ao Conexão Bd. F, veículo jornalístico ligado à Rádio Brasil de Fato, que o vínculo com a instituição estadunidense não é recente. A cooperação já existe há pelo menos 10 anos.
Um projeto em São Paulo busca mitigar o impacto das altas temperaturas na Zona Leste para melhorar a qualidade de vida e promover maior conforto térmico nas comunidades periféricas.
A demanda para este estudo específico partiu dos próprios pesquisadores americanos após analisarem as condições das comunidades paulistanas. Eles sugeriram um local na região de Aricanduva, Zona Leste: uma ocupação chamada Estrela de Davi.
Essa área específica abriga cerca de cento e noventa e seis famílias, totalizando aproximadamente mil pessoas moradoras.. Desde 2024, os trabalhos avançaram; houve reuniões entre líderes comunitários locais e o grupo universitário focado em discutir como tratar tecnicamente esse impacto do calor no bairro.
Monitoramento técnico da saúde nas periferias. Além de contar com a colaboração direta dos moradores mais organizados, foi fundamental realizar treinamentos para que parte das comunidades fosse capacitada na leitura correta dos termômetros instalados ali.
Barbosa chamou esses jovens envolvidos por “pesquisadores populares”. Esses pesquisadores terão um papel crucial: eles serão responsáveis por coletar dados mensais sobre as condições climáticas ao longo de 1meses.
No final desse período anual, será possível ter não apenas o levantamento físico completo, mas também uma análise técnica detalhada desses impactos do calor diretamente ligados à saúde.
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A crise climática e os riscos nas áreas adensadas. O coordenador da CMP defendeu que a questão deve ser elevada para prioridade em projetos governamentais futuros, especialmente considerando o cenário eleitoral atual no Brasil. Ele reforçou ainda como realidade global é enfrentar crises climáticas severas; “Não é só na Europa que tem ondas de calor“, alertou Barbosa.
No país, milhares de pessoas já estão sendo afetadas pelo extremo aquecimento. Ele apontou um contraste social: enquanto classes médias ou mais ricas podem investir em ar condicionado e materiais adequados à ventilação residencial, os moradores das periferias enfrentem condições muito diferentes.
Muitos desses lares possuem telhados feitos com fibra, cimento ou amianto — material conhecido por absorver grande quantidade de calor —, o que compromete diretamente a qualidade do sono dos indivíduos. Esse fator gera impacto não apenas no descanso físico, mas também na saúde mental geral da população.