UFJF pede desculpas pelo uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena e anuncia reparações

UFJF pede desculpas pelo uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena e anuncia ações de reparação e conscientização sobre direitos humanos e saúde mental.

UFJF emite carta de desculpas pelo uso de cadáveres do Hospital Colônia de Barbacena

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou uma carta de desculpas na última segunda-feira (18) em relação ao uso de cadáveres provenientes do Hospital Colônia de Barbacena. Documentos internos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da universidade revelam que foram recebidos 169 corpos entre 1962 e 1971, utilizados em aulas de anatomia nos cursos da área da saúde.

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Durante o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, a instituição reconheceu a deterioração dos corpos e a falta de respeito à dignidade dos falecidos.

O livro “Holocausto Brasileiro”, escrito pela jornalista Daniela Arbex, menciona que 1.853 corpos foram enviados para instituições de ensino. Em resposta ao ocorrido, a UFJF anunciou que tomará medidas para reparação simbólica, seguindo as orientações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão da Procuradoria da República em Minas Gerais.

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A universidade também se comprometeu a criar e fortalecer iniciativas de conscientização, incluindo campanhas sobre direitos humanos e saúde mental, além da criação de um memorial.

Compromissos e ações futuras

A UFJF buscará apoio para sistematizar pesquisas documentais sobre os registros relacionados ao Hospital Colônia de Barbacena. Evidências históricas indicam que essa instituição psiquiátrica foi marcada por graves violações de direitos humanos, com mais de 60 mil mortes registradas, muitas delas de pessoas classificadas como indigentes.

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A universidade reafirmou seu compromisso com o avanço das políticas de saúde mental no Brasil, reconhecendo as conquistas da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial.

Desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB implementou o Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo. Desde então, todos os corpos recebidos são exclusivamente de doações voluntárias, acompanhados de ações de conscientização sobre a importância da doação em conformidade com as normas vigentes e o respeito à dignidade humana.

A UFJF destacou a necessidade de garantir que os direitos conquistados sejam acompanhados por uma assistência integral e qualificada em todos os níveis de atenção.