A partir desta quarta-feira (25), os docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) iniciaram uma paralisação das atividades, impulsionada por uma série de reivindicações que incluem a recomposição salarial e a necessidade de um orçamento universitário mais adequado.
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A situação é vista como crítica, com uma década sem negociações significativas e um acúmulo de perdas inflacionárias que afetaram o poder de compra dos professores. Segundo Leonardo Kaplan, vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Asduerj), a decisão de entrar em greve foi tomada devido à ausência de diálogo por parte do governo estadual.
A paralisação representa um momento de grande tensão, considerando que a última greve docente na instituição ocorreu há dez anos. A categoria busca reverter um cenário de dificuldades financeiras e de direitos, que se intensificaram com a revogação do adicional por tempo de serviço, um benefício concedido a servidores que completavam triênios de serviço.
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Além disso, os professores exigem o pagamento das parcelas da recomposição salarial acordadas em 2021, que ainda não foram efetivadas.
Ato Público e Ampliação do Diálogo
Para demonstrar a força da mobilização, servidores da Uerj participaram de um ato público em frente ao Palácio da Guanabara, em Laranjeiras. O evento reuniu centenas de docentes e representou um esforço para ampliar o diálogo entre diferentes setores da sociedade, incluindo movimentos sociais e sindicatos.
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Apesar de terem entregue um ofício formal solicitando uma reunião com o governo, a categoria não obteve resposta.
A paralisação também se conecta a outras questões relacionadas à gestão da universidade, como a necessidade de recompor o orçamento, que tem sido historicamente subfinanciado. A Constituição estadual determina que a Uerj receba 6% da receita corrente líquida, mas essa porcentagem não tem sido cumprida, o que impacta diretamente a qualidade do ensino e da pesquisa.
Contexto Político e Investigações em Curso
A situação na Uerj se desenrola em um contexto político complexo, marcado por investigações envolvendo o ex-governador em exercício, Cláudio Castro, e irregularidades na Fundação Ceperj. O TSE cassou o mandato de Castro nesta terça-feira (24), por conta de um esquema de corrupção que envolveu a contratação de milhares de pessoas e o desvio de recursos públicos.
O caso também envolve outros membros do governo e está sendo investigado por suspeitas de utilização de recursos desviados nas eleições de 2022.
Além disso, a universidade enfrenta outros problemas financeiros, como um déficit orçamentário que se mantém constante ao longo dos anos, apesar do crescimento do corpo docente e da expansão das instalações. A situação é agravada por investigações em andamento envolvendo o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Bserj), que teria sofrido prejuízos de bilhões de reais devido a irregularidades na gestão de fundos públicos.
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso em fevereiro por suspeitas de envolvimento nesses desvios.
