Uefa e Concacaf pedem revisão independente das reservas financeiras da Fifa
Ceferin e Montagliani sugerem auditoria externa e repasse extra de US 2,1 bilhões às federações entre 2027 e 2030.
Os presidentes da UEFA, Aleksander Ceferin, e da Concacaf, Victor Montagliani, enviaram uma carta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo uma revisão independente das reservas financeiras da entidade. A proposta, revelada nesta sexta – feira (18) pela Reuters, também defende que cada uma das 211 associações – membro da Fifa receba ao menos US 10 milhões (R 51,5 milhões) entre 2027 e 2030.
Ceferin e Montagliani, que também ocupam o cargo de vice – presidentes da Fifa, afirmam que a medida representaria um investimento total de aproximadamente US 2,1 bilhões (R 10,8 bilhões) no período. O valor seria destinado às federações nacionais além dos recursos já previstos pelo Forward Programme, iniciativa da Fifa que financia projetos de desenvolvimento do futebol nas confederações e associações.
Os detalhes da proposta financeira
Na carta obtida pela agência Reuters, os dois dirigentes sugerem que os US 10 milhões por associação – membro sejam pagos ao longo de quatro anos, entre 2027 e 2030. O montante extra, segundo eles, garantiria um reforço significativo no orçamento das federações, muitas delas com dificuldades para manter programas de base e infraestrutura.
Atualmente, o Forward Programme já distribui recursos para projetos específicos, mas Ceferin e Montagliani argumentam que o novo repasse permitiria um planejamento de longo prazo mais estável. O valor total de US 2,1 bilhões, calculado com base nas 211 associações, supera em muito os investimentos anuais do programa atual.
Os presidentes da UEFA e da Concacaf também defendem que as reservas financeiras da Fifa sejam submetidas a uma auditoria independente antes da definição dos novos repasses. A ideia é garantir transparência sobre o volume de dinheiro acumulado pela entidade e evitar questionamentos sobre a destinação dos recursos.
Contexto e reação da Fifa
A Fifa foi procurada pela Reuters para comentar a proposta, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. A ausência de resposta até o momento deixa em aberto se a entidade aceitará discutir a revisão das reservas ou o aumento dos repasses às federações.
Ceferin e Montagliani ocupam posições de destaque dentro da Fifa como vice – presidentes, o que dá peso político à demanda. A UEFA, sob comando de Ceferin, já havia criticado anteriormente a gestão financeira da Fifa, especialmente em relação aos custos das Copas do Mundo.
Leia também
Já a Concacaf, liderada por Montagliani, representa as federações da América do Norte, Central e Caribe, regiões que historicamente recebem menos recursos que Europa e América do Sul.
A proposta de revisão independente das reservas surge em um momento em que a Fifa acumula receitas bilionárias com direitos de transmissão e patrocínios para torneios como a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México.
A pressão por maior transparência financeira tem crescido entre as associações menores, que cobram uma distribuição mais equilibrada dos lucros.
Se aprovada, a medida pode redesenhar o fluxo de recursos no futebol mundial nos próximos anos. As federações nacionais, especialmente as de países em desenvolvimento, seriam as principais beneficiadas com os US 10 milhões adicionais cada uma. A decisão final, no entanto, depende da reunião do Conselho da Fifa e da aprovação de Gianni Infantino.