Solidariedade da UE com o Golfo em meio a tensões energéticas
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta quinta-feira (19) que a União Europeia (UE) expressa solidariedade com os parceiros do Golfo, em um momento em que os ataques do Irã à infraestrutura energética da região provocam um aumento significativo nos preços do petróleo e do gás, que dobraram em comparação aos níveis anteriores ao conflito.
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Os líderes da UE estão elaborando medidas emergenciais para proteger os consumidores da crescente escalada nos custos de energia.
Após uma cúpula realizada em Bruxelas, von der Leyen anunciou a liberação de mais de 450 milhões de euros (cerca de R$ 2,7 bilhões) em ajuda humanitária para o Oriente Médio. Ela também alertou que a crise atual representa “riscos crescentes que vão muito além da própria região”.
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, enfatizou a necessidade de moderação e proteção da “infraestrutura essencial, especialmente aquela voltada para a produção de energia”.
Impacto no fornecimento de energia e volatilidade de preços
O conflito com o Irã resultou no fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma rota crucial pela qual transita cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. Essa situação deixa o setor energético europeu, que depende de importações, vulnerável a uma forte volatilidade nos preços.
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Na quinta-feira, o preço do petróleo Brent, referência internacional, voltou a subir após ataques iranianos a instalações energéticas no Catar e na Arábia Saudita.
Von der Leyen também abordou as possíveis pressões migratórias que podem surgir em decorrência da crise. Ela afirmou que, até o momento, a UE não registrou um aumento significativo no fluxo de refugiados em direção à Europa, mas que está preparada para qualquer eventualidade.
Retaliações do Irã e ofensivas de Israel
O ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que o país apenas demonstrou uma “fração” de seu poder em resposta aos ataques israelenses contra sua infraestrutura. Segundo o chanceler, a decisão de conter as ações foi tomada por “respeito à desescalada solicitada”.
Em uma publicação no X, Abbas Araghchi afirmou que a resposta do Irã foi uma fração de sua capacidade e que a única razão para a contenção foi o desejo de evitar uma escalada.
Araghchi também alertou Israel de que, caso novos ataques fossem realizados, a resposta do Irã seria mais contundente. Ele expressou a necessidade de reparações pelos danos causados às instalações civis atingidas, afirmando que qualquer resolução para o conflito deve incluir a reparação desses danos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comentou sobre o ataque ao campo de gás de South Pars, no Irã, e revelou que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia solicitado que ele se abstivesse de realizar ataques semelhantes. Em coletiva de imprensa, Netanyahu afirmou que a operação foi conduzida exclusivamente por Israel, sem envolvimento direto dos EUA, e que Trump pediu a suspensão de novos ataques desse tipo.
