Tsutomu Yamaguchi, o único sobrevivente oficial de duas bombas atômicas, morre aos 93
Sobrevivente de Hiroshima e Nagasaki, ele se tornou símbolo global contra armas nucleares.
Tsutomu Yamaguchi viveu o que nenhum ser humano deveria experimentar nem uma vez. Engenheiro naval de formação, ele é reconhecido como a única pessoa oficialmente confirmada a ter sobrevivido a duas bombas atômicas — em Hiroshima e, três dias depois, em Nagasaki.
A história começa em 6 de agosto de 1945, quando Yamaguchi, então com 29 anos, estava em Hiroshima a trabalho. A bomba de urânio-235, apelidada de “Little Boy”, foi lançada pelos Estados Unidos e devastou a cidade.
Yamaguchi estava a poucos quilômetros do centro da explosão. O impacto foi brutal: ele sofreu queimaduras graves, teve os tímpanos rompidos e perdeu temporariamente a visão. Mesmo ferido, conseguiu sobreviver. A decisão que tomou em seguida mudaria sua vida para sempre — ele resolveu voltar para casa, em Nagasaki.
O segundo bombardeio em Nagasaki
Três dias depois do ataque a Hiroshima, em 9 de agosto de 1945, Yamaguchi já estava de volta ao trabalho em Nagasaki. Foi quando os Estados Unidos lançaram o segundo artefato nuclear, o “Fat Man”, uma bomba de plutônio. O engenheiro estava no local e, novamente, foi exposto à radiação.
A repetição do horror deixou marcas profundas. Além das sequelas físicas imediatas, Yamaguchi carregou ao longo da vida os efeitos psicológicos e as consequências da exposição radioativa. Ainda assim, ele seguiu em frente. Tsutomu Yamaguchi morreu em 2010, aos 93 anos, vítima de um câncer no estômago — doença diretamente associada à radiação das bombas.
Vida como símbolo contra armas nucleares
Considerado pelo governo japonês como o único sobrevivente oficial dos dois bombardeios atômicos, Yamaguchi se tornou uma figura emblemática. Ele passou a ser visto como um símbolo de resistência e uma voz crítica ao uso de armas nucleares. Sua história, que parecia impossível, serviu para alertar o mundo sobre os horrores da guerra atômica.
O engenheiro naval viveu entre 1916 e 2010. Durante décadas, ele compartilhou seu testemunho, defendendo o desarmamento nuclear. A experiência única de ter passado por duas catástrofes em tão pouco tempo fez de Yamaguchi uma testemunha rara — e incômoda — do poder de destruição que a humanidade foi capaz de criar.
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Aos 29 anos, ele estava em Hiroshima a trabalho quando a primeira bomba caiu. A viagem profissional se transformou em um pesadelo. Depois de sobreviver e retornar a Nagasaki, ele pensou que o pior havia passado. Mas o destino reservou um novo golpe três dias depois, com o ataque a sua própria cidade.
A radiação o acompanhou pelo resto da vida, assim como as lembranças do que viu.
Tsutomu Yamaguchi morreu aos 93 anos, mas deixou um legado que ultrapassa gerações. Sua história é um lembrete brutal do custo humano das armas nucleares e da força de quem, mesmo diante do impensável, escolheu resistir e contar o que viu.