Trump vê potencial na indústria petrolífera da Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acredita que empresas americanas podem ajudar a revitalizar a debilitada indústria petrolífera da Venezuela, trazendo benefícios tanto para o país sul-americano quanto para os EUA. Contudo, mesmo que isso ocorra, será apenas uma parte das transformações necessárias para reerguer a nação empobrecida.
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A economia venezuelana foi severamente afetada por mercados de petróleo instáveis, corrupção governamental e anos de sanções. Apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a situação atual representa um grande desafio para quem assumir o governo no futuro.
A hiperinflação, que começou quase uma década atrás, fez os preços dispararem diariamente.
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Impactos da inflação e da crise humanitária
As taxas inflacionárias chegaram a 65.000%, resultando em escassez de produtos básicos, como alimentos e medicamentos, além do colapso da moeda local, o bolívar. Os cidadãos frequentemente precisam usar dólares americanos ou grandes quantidades de bolívares para realizar compras cotidianas.
Atualmente, a inflação está na casa dos três dígitos, deixando a maior parte da população em situação de pobreza. Aproximadamente 40% da população enfrenta insegurança alimentar, conforme dados do Programa Mundial de Alimentos. Essa escassez, aliada à repressão política, levou cerca de um terço da população a deixar o país.
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Desafios para a recuperação econômica
Luisa Palacios, ex-presidente da Citgo e especialista em economia venezuelana, afirma que a devastação econômica do país é comparável à de nações que enfrentaram guerras. Ela destaca a necessidade de restabelecer o Estado de direito e implementar regras básicas para uma economia funcional.
Entretanto, não há soluções rápidas à vista. A indústria petrolífera, que ainda enfrenta sanções, representa mais de 90% das exportações da Venezuela e uma parte significativa da receita fiscal do governo. Palacios observa que é cedo para prever quanto tempo levará para a recuperação.
Retorno das empresas petrolíferas
A liderança futura da Venezuela ainda está indefinida, podendo ser composta por remanescentes do governo de Nicolás Maduro, o líder da oposição ou até mesmo pela administração Trump. Trump minimizou o custo de recuperar a economia venezuelana, afirmando que a riqueza petrolífera do país é substancial e que empresas americanas seriam recrutadas para ajudar.
A Venezuela possui 303 bilhões de barris em reservas de petróleo bruto, representando cerca de um quinto das reservas globais. No entanto, a infraestrutura do setor está deteriorada devido a anos de investimentos insuficientes e sanções, resultando em uma produção de pouco mais de 1 milhão de barris por dia.
Investimentos e infraestrutura
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que as empresas de petróleo estão dispostas a investir na Venezuela, mas fontes do setor indicam que não haverá reinvestimentos sérios até que um governo estável esteja no poder. O apetite para investir atualmente é baixo, e a incerteza sobre o futuro governo é um fator crucial.
O petróleo foi descoberto na Venezuela em 1922, transformando a economia de um sistema agrícola diversificado para uma dependente do petróleo. A nacionalização da indústria em 2007, sob Hugo Chávez, e a expulsão de empresas estrangeiras contribuíram para a atual crise.
Necessidades além do petróleo
Especialistas afirmam que a recuperação da indústria petrolífera exigirá dezenas de bilhões de dólares, mas isso não será suficiente para restaurar a economia. Roxanna Vigil, do Conselho de Relações Exteriores, destaca a necessidade de reestruturação da dívida e a suspensão das sanções para permitir a entrada de empresas estrangeiras.
Além disso, há uma demanda urgente por assistência humanitária para os que vivem na pobreza, bem como investimentos em setores que não necessariamente gerarão retorno financeiro. A infraestrutura do país está em deterioração, com frequentes apagões e problemas de abastecimento de água.
Desafios futuros
O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que os EUA venderiam o petróleo venezuelano sob sanções no mercado mundial, visando estabilizar a economia local. No entanto, especialistas alertam que os problemas na Venezuela não serão fáceis de resolver.
A comparação feita por Terry Lynn Karl entre a situação da Venezuela e a do Iraque após a Guerra do Iraque ressalta a complexidade dos desafios. A recuperação da Venezuela pode ser um processo longo e complicado, com muitos obstáculos a serem superados.
