Trump revela morte de líder de gangue venezuelana em operação conjunta; entenda os detalhes

A operação que resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores levanta questões sobre a colaboração entre EUA e Venezuela. Quais os impactos dessa ação?

(Imagem de reprodução da internet).

Trump Anuncia Morte de Líder de Gangue Venezuelana

Na noite de sexta-feira (12), por volta das 21h, horário local, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um anúncio surpreendente em sua plataforma Truth Social. Ele revelou que os Estados Unidos e a Venezuela colaboraram para eliminar Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, que era o principal líder da gangue criminosa Tren de Aragua.

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Essa organização foi classificada como uma Organização Terrorista Estrangeira durante o segundo mandato de Trump. O presidente descreveu a operação como “rápida e letal”, prometendo que os EUA irão “localizar esses assassinos cruéis e chefes do tráfico a qualquer hora, em qualquer lugar, e enviá-los às profundezas do inferno onde pertencem”.

Trump também compartilhou um vídeo de 10 segundos que mostrava a explosão que resultou na morte de Guerrero Flores.

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O governo da vice-presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou em um comunicado que a operação conjunta ocorreu “no sudeste do estado de Bolívar”, ressaltando a troca de informações de inteligência e apoio técnico entre os dois países.

Antes do anúncio, o paradeiro de Guerrero Flores era desconhecido. Ele estava foragido há anos e tinha um histórico criminal que se estendia por décadas. Embora Trump tenha o descrito como “infame”, a maioria dos americanos provavelmente não conhece sua história, que é escassa em registros e declarações governamentais.

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Quem foi “Niño Guerrero”?

A biografia de Guerrero Flores no Departamento de Estado é breve, mas inclui seu nome completo e data de nascimento, que curiosamente difere da registrada em documentos judiciais venezuelanos. Ambos os registros afirmam que ele nasceu em Maracay, capital do estado de Aragua, em 1983.

Segundo uma decisão da Suprema Corte da Venezuela de 2018, seu histórico criminal começou em 2005, quando foi preso pelo assassinato de um oficial. Em setembro de 2012, ele escapou de uma prisão em Tocorón, Aragua, mas foi recapturado em 2013. Após sua recaptura, entre 2013 e 2015, o Tren de Aragua começou a se consolidar como uma organização criminosa poderosa.

O grupo ganhou força e território dentro da prisão de Tocorón, formando alianças com outras gangues para expandir sua influência. Ele acabou dominando o bairro San Vicente, em Maracay, conforme relatórios do Observatório Venezuelano da Violência e do think tank InSight Crime.

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Em 15 de dezembro de 2016, Guerrero Flores foi condenado a 17 anos e dois meses de prisão por diversos crimes, incluindo homicídio doloso e tráfico de drogas. Contudo, o controle do Tren de Aragua dentro da prisão era tão forte que mantê-lo encarcerado era quase tão ineficaz quanto deixá-lo livre.

Somente em outubro de 2023, quando o governo venezuelano assumiu o controle total da prisão, foi descoberto que ele havia desaparecido, tornando-se um fugitivo até sua morte.

Expansão do Tren de Aragua

Com Guerrero Flores no comando, o Tren de Aragua não apenas se fortaleceu na Venezuela, mas também se expandiu para outros países da região e, supostamente, até cruzou o Atlântico. De acordo com o InSight Crime, a gangue possui presença na Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile.

Além disso, a Transparencia Venezuela, parte da organização não governamental Transparency International, afirma que o grupo também opera no Brasil e na Costa Rica. Autoridades mexicanas relataram prisões de indivíduos ligados ao Tren de Aragua, e uma investigação da CNN em 2023 documentou sua presença nos Estados Unidos.

Em março de 2024, Gerso, irmão de Guerrero Flores, foi preso em Barcelona, na Espanha, e extraditado para a Venezuela alguns meses depois. Em julho de 2024, a polícia espanhola prendeu 13 pessoas que foram identificadas como a primeira célula conhecida do Tren de Aragua desmantelada no país.

No mesmo ano, o então presidente dos EUA, Joe Biden, designou a gangue como uma grande organização criminosa transnacional. No entanto, no início de seu segundo mandato, Donald Trump foi além, assinando uma ordem executiva que classificou o Tren de Aragua como uma organização terrorista estrangeira, o que levou outros países, como Equador, Peru e Argentina, a tomarem medidas semelhantes.

Consequências e Ações do Governo Trump

O Tren de Aragua e outras gangues latino-americanas estão no centro da primeira onda de deportações promovidas pelo governo Trump. Desde o início de seu segundo mandato, o presidente e seus aliados têm argumentado que a presença de supostos membros de gangues nos EUA faz parte de uma “invasão” vinda da fronteira sul.

Esse argumento foi utilizado para deportar centenas de pessoas em março de 2025, quando Trump invocou a Lei de Inimigos Estrangeiros. Em setembro do mesmo ano, o Departamento de Defesa dos EUA começou a perseguir embarcações de tráfico de drogas no Caribe e no leste do Pacífico, algumas das quais estariam ligadas à gangue venezuelana.

Mais de 200 pessoas perderam a vida em ataques dos EUA contra essas embarcações, mas o governo Trump não apresentou evidências públicas da presença de narcóticos nos navios atacados ou de suas ligações com cartéis de drogas.