As declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia reacendem polêmica sobre soberania e interesses geopolíticos. Entenda as implicações dessa discussão!
As recentes afirmações de Donald Trump a respeito da Groenlândia trouxeram à tona discussões sobre a soberania do território ártico. Durante um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump declarou que os Estados Unidos foram “estúpidos” ao permitir que a Dinamarca mantivesse a Groenlândia como seu território, após ter protegido a ilha do domínio alemão na Segunda Guerra Mundial.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A analista de Relações Internacionais, Fernanda Magnotta, esclareceu no programa CNN 360° que, sob a perspectiva do direito internacional, a situação é inequívoca. “A Groenlândia foi, é e, em tese, deveria continuar sendo do reino da Dinamarca”, afirmou.
Ela destacou que a presença dinamarquesa na ilha é histórica, com cidadãos dinamarqueses vivendo na região há décadas, superando em número as populações nativas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Magnotta ressaltou dois momentos significativos na relação entre Estados Unidos, Groenlândia e Dinamarca. O primeiro ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando a ilha foi invadida pelos nazistas, representando uma ameaça à segurança dos EUA. “Os americanos intervieram para expulsar os nazistas, garantindo a segurança da região”, explicou a analista.
O segundo momento relevante foi durante a Guerra Fria, quando a Groenlândia se tornou uma “peça-chave” na disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Nesse período, os americanos estabeleceram bases na ilha, que eram estratégicas para monitorar o Ártico e garantir alerta antecipado contra mísseis soviéticos.
O interesse renovado dos EUA pela Groenlândia é impulsionado por dois fatores principais: suas riquezas naturais e o derretimento da calota polar, que abre novas rotas comerciais, aumentando a relevância econômica da região. Segundo Magnotta, Trump enfrenta duas opções além de desistir: uma ação militar, que seria um ataque a um aliado e poderia desestabilizar a Otan, ou pressionar a Dinamarca a ceder de alguma forma, seja vendendo o território ou estabelecendo um arranjo intermediário.
A especialista alertou que a questão da Groenlândia é delicada tanto na política internacional quanto na política interna dos Estados Unidos. “Aliados e parte da base republicana se incomodam com a possibilidade de uma ação militar contra a Groenlândia, considerando isso um ato grave”, concluiu.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.