O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao anunciar que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em “duas, talvez três semanas”. A declaração, feita em meio a tensões persistentes com o Irã, gerou reações positivas nos mercados asiáticos e uma queda nos preços do petróleo.
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Em pronunciamento ao país na noite desta quarta-feira (1º), Trump detalharia o plano, mesmo que a reabertura do Estreito de Ormuz não dependa de um acordo com Teerã. A perspectiva de um fim rápido do conflito impulsionou a Bolsa de Tóquio, que fechou com alta de mais de 4%, e Seul, que subiu mais de 6%. As Bolsas europeias também registraram fortes altas, com Paris em +2,31%, Londres em +1,11% e Frankfurt em +2,87%.
O analista da Al Jazeera, Trita Parsi, expressou ceticismo sobre a rapidez com que o conflito poderia terminar, destacando que o Irã provavelmente continuará a controlar e atacar a hidrovia do Estreito de Ormuz. Israel, por sua vez, afirmou que seus aliados regionais do Irã não representam mais uma “ameaça existencial”, mas manterá sua ofensiva no Líbano, com apoio iraniano.
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Apesar da possível retirada dos EUA, a guerra de Israel no Líbano e o apoio de Teerã a seus aliados podem prolongar o conflito. Ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel continuam em todo o Irã, visando instalações industriais e civis, incluindo siderúrgicas, fábricas farmacêuticas e infraestrutura portuária.
O Irã relatou explosões em cidades como Ahvaz, Shiraz, Isfahan, Karaj, Kermanshah e Bandar Abbas. Um oficial iraniano informou que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) foi designada como uma organização “terrorista” pela Argentina, sob o governo do presidente Javier Milei.
Diversos países, incluindo Espanha, França e Itália, restringiram as operações militares dos EUA, fechando o espaço aéreo e negando acesso a bases. A China e o Paquistão propuseram um plano de cinco pontos, incluindo um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto o emir do Catar e o presidente dos Emirados Árabes Unidos realizaram conversas sobre a guerra com o Irã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que mensagens foram trocadas com Washington e com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mas sem negociações e com “zero” confiança nos EUA. A situação no Oriente Médio continua complexa, com desafios significativos para a estabilidade regional.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.
