Trump pede moderação a Takaichi em meio a tensões com a China, buscando evitar escalada na guerra comercial e preocupações sobre Taiwan.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que evite intensificar a disputa com a China durante as negociações desta semana. Fontes informaram que Trump busca manter uma trégua delicada na guerra comercial com Pequim.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Takaichi provocou uma das maiores crises diplomáticas com a China ao afirmar no Parlamento japonês que um ataque chinês a Taiwan, que ameaçasse o Japão, poderia justificar uma resposta militar. Essa declaração gerou forte reação de Pequim, que alertou seus cidadãos sobre a situação.
Em uma ligação telefônica na terça-feira (25), Trump expressou seu desejo de evitar uma escalada maior nas tensões, conforme relataram duas fontes do governo japonês que preferiram não ser identificadas. No entanto, Trump não fez exigências específicas a Takaichi, o que sugere que ele não concordou totalmente com a posição dela.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Japão defendeu que as declarações de Takaichi refletem uma política governamental de longa data. Em coletiva de imprensa, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, não comentou sobre os detalhes da conversa diplomática.
A conversa entre Trump e Takaichi ocorreu após uma discussão entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Xi reiterou a visão de Pequim sobre a ordem mundial, enquanto Taiwan, que é governada democraticamente, rejeita a reivindicação de soberania da China.
Trump não comentou se as negociações incluíram Taiwan, mas destacou que as relações entre as duas maiores economias do mundo são “extremamente fortes” e que um amplo acordo comercial está próximo de ser finalizado.
Funcionários em Tóquio expressam preocupação de que Trump possa estar disposto a suavizar o apoio a Taiwan em troca de um acordo comercial com a China. Essa possibilidade é vista como um fator que poderia encorajar Pequim e aumentar as tensões na região.
O silêncio de Trump sobre a situação alarmou autoridades japonesas. O enviado dos EUA em Tóquio afirmou que Washington apoia o Japão diante da “coerção” da China, mas parlamentares do partido governista esperavam um apoio mais claro de seu aliado.
A China pediu aos Estados Unidos que contenham o Japão para evitar ações que possam reviver o militarismo, conforme editorial do Diário do Povo, do Partido Comunista Chinês. O Ministério da Defesa da China alertou que o Japão enfrentará um “preço doloroso” se ultrapassar limites em relação a Taiwan.
Sobre a conversa de Takaichi com Trump, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que discutiram as relações EUA-China, mas não forneceu mais detalhes. A declaração negou um artigo do Wall Street Journal que afirmava que Trump aconselhou Takaichi a não provocar Pequim sobre Taiwan.
Os comentários de Takaichi romperam com a ambiguidade estratégica de seus antecessores, que evitavam discutir publicamente cenários que poderiam justificar uma ação militar. Agora, a situação se torna mais complexa, dificultando a resolução de uma disputa que pode impactar a economia e as relações entre China e Japão.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.