Trump em crise no Oriente Médio: Kent renuncia e expõe falhas!
Washington isolado, Trump enfrenta desafios e divergências internas.
Irã, Israel e a real estratégia do presidente são foco de debate
A situação no Oriente Médio se agrava com a permanência de Washington em isolamento diplomático há três semanas. A recente renúncia de Joseph Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, que justificou a alegação de que o Irã não representava uma ameaça real, expõe as divergências internas e a falta de apoio à estratégia adotada.
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A analista internacional Amanda Harumy ressalta a importância política desse movimento, afirmando que “Os Estados Unidos têm poderio militar, mas a realidade que se impõe é que estão perdendo poder político, poder de infiltrar e influenciar espaços no mundo.
Essa renúncia mostra que o Trump vai perdendo aliados também na sua conjuntura interna”.
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Harumy destaca a discrepância entre a retórica belicista de Trump e a realidade dos acontecimentos. A interpretação inicial do presidente era de uma intervenção militar rápida, com oposição ao governo iraniano. No entanto, a questão central reside na influência de Israel nesse cenário. “A interpretação de Trump era que faria uma intervenção militar rápida e que haveria oposição ao governo do Irã.
Mas o grande questionamento é se essa guerra foi um convencimento de Israel ou realmente uma política de Trump para perpetuar a hegemonia americana”, explica a analista.
A tentativa de Trump de obter apoio internacional falhou. O porta-voz do governo alemão declarou que a guerra contra o Irã “não tem nada a ver com a Otan”. A preocupação da Organização do Tratado do Atlântico Norte reside na guerra da Ucrânia, financiada pela União Europeia, e no crescente poderio militar dos Estados Unidos.
Os países europeus enfrentam desafios econômicos, como a inflação e problemas sociais, agravados pela dependência de gás e petróleo, o que os torna menos interessados no conflito.
A analista Harumy enfatiza que, embora o Irã possa não ter a mesma capacidade militar que os Estados Unidos e Israel, possui uma estratégia política clara. “Eles têm capacidade de desestabilizar o preço do petróleo e desestabilizar os principais aliados de Washington e Tel Aviv no Oriente Médio. É uma estratégia de desgaste da influência e da potência dos Estados Unidos, que muito provavelmente vai levar a uma crise interna”, afirma.
As declarações e a possível destituição do líder cubano acendem o alerta na região. Harumy não descarta a possibilidade de uma intervenção por parte de Trump. “Não duvidamos de nada do Trump. Ele tem um caráter de tomada de decisão muito pessoal.
Não acredito que exista um plano estruturado, mas sim uma política vulnerável à interpretação pessoal”, comenta. A analista lembra que a América Latina pode voltar a ser uma região de influência direta dos Estados Unidos, o que é um interesse estratégico para Washington.
Harumy ressalta que os métodos agressivos e ideológicos de Trump são perigosos e que não se pode duvidar da sua vontade política em desestabilizar, invadir ou atacar Cuba. A analista aponta ainda um fator eleitoral: “Trump precisa de vitórias de narrativa.
Seria muito mais fácil invadir Cuba do que vencer no Irã. Há uma diáspora cubana em Miami que é base política do Trump e que pode importar nas eleições de meio de mandato”.
A analista conclui com uma visão de longo prazo. “Existe uma disputa estrutural dos Estados Unidos para ter mais influência, num contexto de preparação para um enfrentamento com a China. Mas o que estamos vendo é que os Estados Unidos estão perdendo poder político.
O Irã está disposto a desestabilizar o poder norte-americano no Oriente Médio”, conclui.
Para ouvir e assistir: O jornal vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo site da emissora.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.