Trump e Xi Jinping selam acordos ‘fantásticos’ em encontro tenso em Pequim

Encontro entre Trump e Xi Jinping: Acordos Fantásticos e Desconfiança Estrutural
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu sua visita a Pequim com uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, realizada na sede central do Partido Comunista da China e do Conselho de Estado. Ao longo de dois dias, ambos os lados descreveram o encontro como positivo, marcando um momento de diálogo entre as duas maiores economias do mundo.
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Trump afirmou que os países chegaram a acordos comerciais “fantásticos” e “bons para os dois países”, enquanto o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, enfatizou o consenso em manter a estabilidade nas relações econômicas e comerciais.
Apesar da atmosfera cordial, não houve anúncios de acordos ou compromissos concretos, exceto pela suposta compra de 200 aviões da Boeing, um anúncio que Trump havia feito anteriormente. A delegação estadunidense não publicou nenhum comunicado equivalente, contrastando com o uso habitual de Trump para divulgar vitórias diplomáticas.
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Essa ausência de comunicação oficial intensificou as análises sobre a complexidade das relações bilaterais e a percepção de que os interesses em jogo transcendem os acordos comerciais imediatos.
Análises e Críticas à Visita
O jornalista e analista geopolítico estadunidense Ben Norton, em entrevista ao Brasil de Fato, destacou que a visita confirma a derrota dos Estados Unidos na “guerra comercial” iniciada pelo governo Trump. Norton ressaltou que Trump colocou tarifas de 145% sobre produtos chineses, o que gerou uma resposta equivalente da China, restringindo a exportação de terras raras e minerais.
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Ele criticou a delegação que acompanhou Trump, apontando para a presença de CEOs de grandes empresas como Elon Musk e Jensen Huang, que perderam mercados na China, e a influência de interesses financeiros sobre a política externa do país.
Norton também apontou para a situação de popularidade de Trump nos Estados Unidos, com apenas 34% de aprovação, como um reflexo da política econômica do governo, que cortou impostos para os ricos e transferiu a carga para a classe trabalhadora.
Ele argumentou que as tarifas são ataques ao consumo e que a desindustrialização da economia americana serve ao capital à custa do trabalho.
Posições e Perspectivas Chinesas
O professor Shen Yi, da Universidade de Fudan, avaliou que Trump chegou a Pequim em posição enfraquecida, longe do negociador que pretendia ser. Ele descreveu o plano A de Trump como acumular alavancagem nas frentes da Venezuela e do Irã, e o plano B como buscar favores.
Shen Yi ressaltou que a China define sucesso em encontros bilaterais em termos estratégicos, buscando uma estrutura de relacionamento mais estável e construtiva, em contraste com a abordagem microeconômica dos Estados Unidos.
Ele também apontou que a China entende que não se pode confiar no governo estadunidense, devido ao seu histórico de descumprimento de acordos. Shen Yi mencionou a questão dos semicondutores como um possível ponto de troca, mas reconheceu que o interesse dos Estados Unidos nessa área diminuiu.
Desconfiança e Perspectivas Futuras
Independentemente dos resultados imediatos, o jornalista Ben Norton rejeitou a narrativa de que a visita representa um marco histórico. Ele argumentou que a China entende que não se pode confiar no governo estadunidense, que descumpre praticamente todos os acordos que assina.
Norton enfatizou que Trump é conhecido por mentir e enganar, e que a China sabe que ele provavelmente violará qualquer acordo se isso lhe for conveniente.
Norton também ressaltou que a visita não altera a trajetória de fundo das relações sino-estadunidenses, que são marcadas por uma profunda desconfiança e pela busca de hegemonia por parte dos Estados Unidos. Ele acredita que as relações não melhorarão significativamente, a menos que haja uma mudança fundamental na política externa americana.
Boeing e Sanções: Um Acordo em Debate
Um dos poucos anúncios com número concreto veio de Trump, que afirmou que a China concordou em comprar 200 aviões da Boeing, com possibilidade de chegar a 750 aeronaves. A empresa Boeing, representada por Brendan Nelson, expressou esperança de que os negócios continuem crescendo, e lembrou que a parceria entre a Boeing e a China já dura 54 anos.
A empresa estava entre as que acompanharam Trump na visita.
Durante a coletiva de imprensa, o porta-voz Guo Jiakun afirmou que as relações econômicas e comerciais entre China e Estados Unidos são de natureza mutuamente benéfica, e que ambos os lados precisam implementar os entendimentos alcançados entre os dois chefes de Estado para injetar mais estabilidade na cooperação bilateral.
A reunião entre Ren Hongbin, presidente do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional, e Brendan Nelson também ocorreu na véspera da reunião Trump-Xi.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



