Trump e Xi Jinping se encontram em Pequim para discutir a polêmica “independência de Taiwan”

Encontro entre líderes dos EUA e China em Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se reunirão em Pequim neste mês para uma cúpula que deve incluir a questão da “independência de Taiwan” como um dos temas centrais. É importante compreender a história da ilha e o que realmente significa a “independência de Taiwan”.
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História e nome oficial de Taiwan
Atualmente conhecida como Taiwan, a ilha foi anteriormente chamada de Formosa e é habitada por povos indígenas há milhares de anos. No século 17, holandeses e espanhóis governaram brevemente partes do território. Em 1684, a dinastia Qing incorporou Taiwan à província de Fujian e, em 1885, declarou-a uma província chinesa separada.
Após a derrota da dinastia Qing na guerra contra o Japão, Taiwan se tornou uma colônia japonesa em 1895. Em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, o território foi entregue ao governo da República da China. Em 1949, após a derrota para as forças comunistas de Mao Tsé-Tung, o governo da República da China se refugiou em Taiwan, onde permanece até hoje com o nome oficial de República da China.
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Status internacional de Taiwan
Por décadas, a República da China em Taiwan foi reconhecida como a China, mas em 1971, Pequim assumiu o assento da China nas Nações Unidas, que antes pertencia a Taiwan. Atualmente, apenas 12 países mantêm relações formais com Taipei, a maioria deles pequenas nações em desenvolvimento, como Belize e Tuvalu.
Embora os principais países ocidentais e aliados dos EUA mantenham laços não oficiais com Taiwan, reconhecendo seu passaporte e mantendo embaixadas, os Estados Unidos romperam relações oficiais com a ilha em 1979. No entanto, eles são legalmente obrigados a fornecer meios de defesa a Taiwan, sem tomar uma posição oficial sobre sua soberania sob a política de “Uma Só China” de Pequim.
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Proposta de “um país, dois sistemas”
A China não descarta a possibilidade de colocar Taiwan sob seu controle e ofereceu um modelo de “um país, dois sistemas”, semelhante ao de Hong Kong. No entanto, essa proposta não conta com o apoio de nenhum grande partido político em Taiwan. Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos taiwaneses prefere manter o status quo nas relações com a China.
Pequim argumenta que a Resolução 2758 das Nações Unidas, aprovada em 1971, reconhece Taiwan como parte da China, mas o governo de Taipei contesta essa interpretação, afirmando que a resolução não menciona Taiwan. O Departamento de Estado dos EUA, no ano passado, declarou que a China distorce a resolução para isolar Taiwan internacionalmente.
Independência de fato de Taiwan
Embora a maioria dos países não reconheça formalmente Taiwan, a ilha possui um governo que elege seus próprios líderes, controla uma área territorial definida e possui forças armadas, passaporte e moeda. O governo de Taiwan defende que a República da China é um Estado soberano e que Pequim não tem direito de representá-la.
Uma declaração formal de independência em Taiwan exigiria uma emenda constitucional aprovada pelo parlamento e um referendo, o que seria um processo complexo. Atualmente, o Partido Democrático Progressista (DPP) e o Kuomintang (KMT) têm o mesmo número de cadeiras, e o DPP não tentou alterar a constituição.
Posição do presidente de Taiwan sobre a independência
A China critica o presidente Lai Ching-te, chamando-o de “separatista”. Antes de assumir a presidência, Lai se referiu a si mesmo como um “trabalhador prático pela independência de Taiwan”, afirmando que Taiwan já é um país independente. Desde que tomou posse em 2024, ele reiterou que a República da China e a República Popular da China “não são subordinadas uma à outra”.
Em 2005, o parlamento chinês aprovou a Lei Antissecessão, que fornece uma base legal para ações militares contra Taiwan caso a ilha busque a separação. No entanto, a lei é vaga e não especifica detalhes sobre como isso seria implementado.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



