Donald Trump anuncia acordo com a Otan sobre a Groenlândia, envolvendo direitos minerais. Descubra os desafios e as implicações dessa negociação!
Na quarta-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter alcançado um acordo preliminar com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre o futuro da Groenlândia. O entendimento inclui direitos sobre minerais de terras raras.
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Em entrevista à CNBC, Trump afirmou: “Eles estarão envolvidos nos direitos minerais, e nós também”. No entanto, ele não detalhou os termos do acordo.
A riqueza mineral inexplorada da Groenlândia tem despertado o interesse de Trump, que vê essas reservas como uma oportunidade de reduzir a dependência dos EUA em relação à China, que domina a produção de metais raros essenciais para diversas tecnologias.
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Durante um discurso na Suíça, Trump minimizou a importância dos recursos naturais da Groenlândia, afirmando que a necessidade do território está relacionada à segurança nacional dos EUA.
Trump mencionou que o acordo para a Groenlândia abrange duas áreas principais: defesa antimíssil e exploração mineral. Essa perspectiva é corroborada por Mike Waltz, ex-conselheiro de segurança nacional, que destacou a importância dos “minerais críticos”.
Contudo, a posse da Groenlândia pela Dinamarca não é o principal obstáculo para a exploração mineral, mas sim as condições ambientais do Ártico.
Pesquisadores alertam que a extração de minerais na Groenlândia é extremamente desafiadora e cara, devido à localização remota dos depósitos e à espessura da camada de gelo. Malte Humpert, do Instituto Ártico, comparou a mineração na Groenlândia à exploração na Lua, afirmando que seria uma tarefa quase impossível.
Aproximadamente 80% da Groenlândia é coberta por gelo, e as atividades no Ártico podem ser de cinco a dez vezes mais caras do que em outras regiões.
O interesse de Trump pela Groenlândia não é recente, e ele não é o primeiro presidente dos EUA a cobiçar a ilha. Autoridades locais buscam há anos investimentos estrangeiros. No entanto, especialistas afirmam que convencer empresas americanas a investir na Groenlândia pode ser uma ilusão.
Jacob Funk Kirkegaard, do Instituto Peterson, destacou que, se houvesse um “pote de ouro”, as empresas já teriam se estabelecido na região.
Funk Kirkegaard também ressaltou a dificuldade de justificar o alto investimento inicial necessário para a mineração. É possível que Trump esteja considerando incentivos financeiros para atrair empresas, mas isso levanta questões sobre a viabilidade de tal estratégia.
A relação entre investimento e retorno na Groenlândia é complexa e desafiadora.
A crise climática tem causado o derretimento do gelo no Ártico, mas isso não garante que os desafios da mineração na Groenlândia sejam superados. Embora o derretimento possa abrir novas rotas, ele também torna o solo menos estável e aumenta o risco de deslizamentos.
Humpert enfatizou que as mudanças climáticas não facilitam a mineração, apenas reduzem a quantidade de gelo.
Além disso, as rigorosas regulamentações ambientais da Groenlândia complicam ainda mais a mineração em larga escala, refletindo o desejo da população local de preservar o meio ambiente. A revogação dessas regulamentações pelo governo Trump poderia gerar descontentamento entre os habitantes da Groenlândia.
Adam Lajeunesse, professor de política canadense, alertou que a retórica de Trump sobre a Groenlândia pode prejudicar os objetivos econômicos e estratégicos dos EUA, afetando as relações com a Groenlândia e a Dinamarca. Ele destacou que os EUA podem ser vistos como um “valentão” em vez de um parceiro confiável.
Christian Keldsen, da Associação Empresarial da Groenlândia, também expressou preocupação com a percepção negativa em relação aos interesses americanos. Ele afirmou que a população local está cautelosa em relação à influência dos EUA, questionando se estão apoiando alguém que busca controlar seu território.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.